A campanha

O Instituto Lado a Lado pela Vida realiza a campanha Mulher Por Inteiro para conscientizar sobre os cânceres de mama, ovário e colo do útero desde 2015.

Prevenção, detecção precoce e cuidados com a saúde são o foco da campanha que acontece o ano todo, trabalhando a mulher além do câncer de mama e realizando ações e fóruns para discutir e pensar em soluções para os problemas de saúde que afetam a população feminina brasileira.  As ações são intensificadas durante o Outubro Rosa. Afinal é o mês de conscientização para o câncer de mama, a neoplasia mais frequente em mulheres e, por isso, as atenções estão voltadas para a saúde da mulher.

No caso específico do câncer de colo de útero, por exemplo, é possível realizar a prevenção, o que nos casos de mama e ovário, trabalhamos para alertar para o diagnóstico precoce.

Câncer de mama

É a neoplasia mais frequente em mulheres. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo, são 2,1 milhões de mulheres diagnosticadas por ano e 627 mil mortes (estimativa para 2018). No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima, para 2020, 66.280 novos casos de câncer de mama e, em 2017, foram 16.927 mortes, incluindo 203 homens que também morreram por causa da doença.

A doença tem 95% de chance de cura se diagnosticada em fase inicial. É o tipo de tumor mais diagnosticado em mulheres, depois apenas do câncer de pele.

A doença pode não causar dores na fase inicial, mas à medida que o tumor cresce, é possível que gere desconforto. São fatores de risco não modificáveis envelhecimento, menopausa tardia ou menarca precoce (primeira menstruação), ausência de gestação e histórico familiar. Já tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso e sedentarismo são considerados fatores de risco modificáveis.

10% dos pacientes possuem fatores genéticos responsáveis pelo desenvolvimento do câncer. A transmissão hereditária está relacionada a mutações genéticas, como as que acometem os genes BRCA 1 e BRCA 2. É importante conhecer o histórico familiar da doença para uma melhor conduta de intervenção.

O autoexame das mamas é importante para a detecção precoce e é feito com a palpação mensal das mamas no 7° ou no 8º dia após o início da menstruação. Deve ser feito todo mês a partir dos 25 anos idade e as mulheres que não menstruam devem escolher uma data no mês de fácil memorização.

O rastreamento da doença é feito por meio da mamografia, capaz de identificar câncer ainda não palpável. Toda mulher entre 50-69 anos de idade deve fazer uma mamografia anualmente (ou no máximo a cada 2 anos). Nos casos de histórico familiar, o exame anual deve ser iniciado aos 35 anos de idade. 

Câncer de colo de útero

O câncer de colo de útero, ou cervical, é o terceiro mais comum – atrás do de mama e colorretal (excetuando o de pele não melanoma) – e a quarta causa de morte entre as mulheres no Brasil. A estimativa de novos casos, para 2020, é de 16.590 e foram 6.385 mortes em 2017, segundo dados do INCA.

Para detectar o tumor, as mulheres devem realizar o exame de Papanicolau e 90% dos casos estão ligados a contaminação pelo vírus HPV, transmitido pelo contato direto de pele com pele durante o sexo vaginal, oral ou anal.

O câncer de colo do útero pode ser prevenido por meio da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e, há mais de uma década, existem vacinas que protegem contra os tipos frequentes de HPV que causam câncer. A vacina é gratuita e faz parte do calendário de vacinação nacional para meninas entre 9 a 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos, portadores do HIV de 9 a 26 anos, pessoas em quimioterapia e radioterapia e que fizeram transplante de órgãos. 

Câncer de ovário

Já o câncer de ovário é a segunda neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do colo de útero, no Brasil. O exame de Papanicolau não é capaz de detectá-lo, por isso, é considerado o mais difícil de ser diagnosticado. Para 2020, o INCA estima 6.650 novos casos. Em 2017, foram 3.879 mortes causadas pela doença.

Os tumores de mama e de ovário compartilham alguns fatores de risco, como ausência de gestação, primeira menstruação precoce, histórico familiar e mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Além disso, a infertilidade e a síndrome dos ovários policísticos também são fatores de risco para o de ovário. Ele não tem sintomas específicos, mas as mulheres devem ficar atentas ao aumento de volume abdominal, prisão de ventre, aumento da frequência e urgência urinária, náusea e azia, dor abdominal, lombar ou na região pélvica e sangramento – sinais que podem estar relacionados a outros problemas ginecológicos.