Novo olhar sobre o câncer de pulmão

Novo olhar sobre o câncer de pulmão

 

A tarde do III Fórum: Um novo olhar sobre o Câncer de Pulmão - Além do Tabaco foi reservada ao mais longo painel do evento: "Redução de Danos -  Como o mundo está lidando com o Câncer de Pulmão?" E o Brasil, em que página está? Os dados apresentados subsidiaram o grande debate do dia "Como este novo olhar para o câncer de pulmão pode beneficiar a população e os pacientes diagnosticados?"


Além dos membros do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, participaram da conversa o diretor de Assuntos Corporativos da Philip Morris, Fernando Vieira,  e o coordenador geral de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Sandro José Martins. Entre os temas abordados, os desafios no combate ao tabagismo, como a indústria midiática trabalha o assunto hoje em dia, a possibilidade de adotar o rastreamento, as novas tecnologias para o tratamento, o cenário brasileiro e as políticas públicas.


Para a farmacêutica Iracy Ito, que participou como ouvinte, a composição do Fórum foi boa, mas o país precisa avançar nos debates sobre políticas públicas. "A participação do Sandro foi importante para vermos os números do SUS, mas temos que ir além da simples exposição desses dados".
Os dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram como mudar o cenário do tratamento de câncer no SUS é um desafio. Hoje, o Brasil tem 243 aparelhos de radioterapia em funcionamento, quantidade insuficiente para tratar todos os casos. A meta do MS é incorporação mais 131 equipamentos até 2020 e aumentar o acesso ao tratamento.


Por outro lado, o oncologista Dr. Marcelo Cruz defende que o Brasil avançou, mas que a crise financeira e política comprometeu a aceleração pretendida por Iracy e todos os brasileiros, naturalmente. "Acredito que houve melhora, mas enquanto não atingimos esse modelo ideal, nós do terceiro setor estamos contribuindo para a formação da sociedade e dos médicos". Um dos exemplos que o Dr. Marcelo coloca é a atual possibilidade de o paciente pesquisar o tipo de câncer graças às parcerias da rede pública com a iniciativa privada. "É importante que o paciente saiba que ele pode investigar e o médico também saiba para encaminhar e orientar", justifica. 


Outro diferencial desta edição do Fórum foi a participação da indústria do tabagismo. Fernando Vieira trouxe reflexões importantes como empregabilidade, tributações e o dilema de parar ou não de comercializar o tabaco. "O benefício seria mínimo. As pessoas vão migrar para o contrabando, vamos demitir centenas de pessoas e o governo vai deixar de arrecadar", rebateu Fernando. Ele também garantiu que a indústria trabalha o incentivo de boas práticas. "Incentivamos que não fumem, não faça uso do tabaco. Mas, se por qualquer outra razão ou por não conseguir, use recursos melhores que o cigarro, mas em momento algum dizemos que o cigarro elétrico, por exemplo, é livre de nicotina", enfatizou Fernando ao ser questionado sobre os riscos do cigarro elétrico e dos aquecedores de tabaco. "Mudar para esses produtos novos oriundos do cigarro é mudar para riscos ainda desconhecidos pela medicina", observou o oncologista Dr. Riad Younes.

Inquietações positivas

Para a presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira, o evento chegou a terceira edição com porte de gente grande. "Viemos (o evento) em uma evolução e hoje chegamos a um amadurecimento. Promover um diálogo com todos os envolvidos nessa causa, sem criar um ambiente de acusação, foi enriquecedor", avaliou.


Para Maria de Lourdes e Aparecida Alves, que são assistidas pela Associação Brasileira de Assistência às Pessoas com Câncer (Abrapec) e tiveram câncer de mama, eventos como o Fórum são sempre oportunidades de pensar além. "A gente aprende mais a cada evento que vamos, amplia os horizontes", diz Aparecida Alves. "E nós da Abrapec não pensamos a doença no aspecto negativo. A gente gosta de pensar o assunto pela perspectiva da saúde e da qualidade de vida", complementa Maria de Lourdes.