Já passou da hora de todos conhecerem o câncer melanoma

Já passou da hora de todos conhecerem o câncer melanoma

"As pessoas precisam conhecer o que é melanoma e entender seus riscos, o que seria um grande começo para mudar esse cenário". Com essas palavras, a presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira, abriu nesta terça-feira (19-6) o III Fórum Câncer de Pele e Melanoma, em São Paulo.

Pesquisa do Datafolha divulgada em maio para campanha de combate ao câncer de pele melanoma, da qual o LAL participou, mostrou que apenas 22% das pessoas sabem o que é este tipo de enfermidade.

 Tratamento, entraves burocráticos, incidência da doença, aspectos tributários e culturais foram alguns dos temas em pauta. A primeira parte do fórum foi dedicada à prevenção em seus variados aspectos, como raios UV, fatores de proteção, grupos de risco, exames periódicos, além de mercado e legislação de produtos de proteção.

 "Quanto mais clara sua pele, maior o risco (de contrair o câncer). Além disso, pessoas muito brancas, com olhos e cabelos claros, compõem os grupos de risco", disse o Dr. Elimar Elias Gomes, dermatologista do Núcleo de Câncer de Pele do AC Camargo Câncer Center. "Outro risco são as pintas, e aí é fundamental o monitoramento periódico. Um terceiro fator muito importante de ser lembrado é o histórico familiar".

 A Dra. Mariana Dias Batista, especialista em cirurgia dermatológica, ressaltou os problemas da exposição solar cumulativa: "Há risco de câncer muito bem documentado na idade adulta de pessoas que se expuseram demais ao sol na infância". A prevenção também esteve na pauta, desde o acesso à informação até o hábito de aplicar protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados.

 O presidente executivo da ABIHPEC, João Carlos Basílio da Silva, destacou a alta carga tributária que impede que filtros solares sejam adquiridos por toda a população: "Hoje, o Brasil é o segundo maior mercado de protetor solar, perdendo apenas para os EUA. Mas apesar disso, somos um país de baixo poder aquisitivo, e não podemos nos dar ao luxo de fabricar produtos indispensáveis que nem todos podem comprar. É preciso uma política de tributação que não iniba o consumo", disse.

Progressos e entraves

 O Dr. Gilles Landman, médico e professor de Patologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), trouxe sua visão de patologista. "Em relação à genética, houve um avanço absurdo nesses últimos dez anos, com progressos no tratamento de melanoma que permitiram o desenvolvimento da medicina personalizada",

Ele também salientou a triste desigualdade no setor público de saúde, lembrando da sobrecarga e dos demais entraves do sistema: "A velocidade com que recebemos um laudo é um aspecto crucial em um tratamento oncológico. E para melanoma, esperar seis meses por isso é algo proibitivo, para dizer o mínimo", complementou.

 O oncologista clínico do Centro Paulista de Oncologia e Hospital Oswaldo Cruz, Dr. Raphael Brandão Moreira, também apontou problemas da lentidão e burocracia. "Revisar lâminas é algo que costumo fazer, pois cada incidência de tumor é bem particular, mas nem sempre isso é possível, ainda mais no sistema público, pontuou ele, para quem até a pessoa conseguir atendimento pelo SUS ela já passou por uma longa triagem. "Por isso às vezes o paciente vem até nós em um estágio avançado e muito complicado da doença", complementou.

Câncer de pele e melanoma em números

O câncer de pele é o mais incidente entre a população brasileira e corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil. Já o melanoma representa apenas 3% das neoplasias malignas do órgão. Os dados são do INCA. São estimados 165.580 casos para 2018, sendo 85.170 homens e 80.410 mulheres.

"O câncer está se tornando em muitos casos uma doença crônica. Hoje não há apenas uma, mas várias curas. Temos um grande desafio pela frente, pois quando vemos um paciente do SUS e outro do sistema privado, percebemos mundos muito diferentes. E não podemos aceitar isso. Já passou da hora de nos unirmos para propor soluções para todos", concluiu a presidente do Instituto Lado a Lado no encerramento do workshop.