Câncer de Pulmão: o que os pacientes têm a dizer

Câncer de Pulmão: o que os pacientes têm a dizer

 

A primeira mesa do III Fórum: Um novo olhar sobre o Câncer de Pulmão - Além do Tabaco foi um momento para ouvir o que os pacientes que tiveram câncer de pulmão têm a dizer sobre suas experiência no enfrentamento da doença. As três personalidades convidadas mostraram como a diversidade dos tipos de câncer de pulmão associado às particularidades de cada paciente influenciam o processo que vai do diagnóstico ao acompanhamento.


Os três tiveram doenças localizadas, ou seja, foram diagnosticados no início e a doença não havia se espalhado para outros órgãos. Apesar disso, cada um foi submetido a um tipo de tratamento. Ailton Apolinário Tenório de Miranda (72), pernambucano aposentado, diagnosticado em 2016, passou por quatro sessões de quimioterapia e cirurgia.  Anna Elizabeth Pinto Gastal (64), engenheira, passou por quimioterapia, cirurgia e complementou com mais 21 aplicações de radioterapia. Olympio Pereira da Silva Jr. (67), ministro de Superior Tribunal Militar, teve câncer de pequena célula, o mais agressivo tipo de câncer de pulmão. Foi submetido a três sessões de quimioterapia e duas de radioterapia por semana e, após este tratamento, realizou radioterapia na cabeça, já que esse tipo de câncer tende a se espalhar para o cérebro.


O moderador da mesa, Dr. Pedro De Marchi, durante intervenções, chamou a atenção para estudos que apontam como a forma de lidar com a descoberta da doença e com a terapia está associada à eficácia do tratamento. Neste aspecto, Anna, Olympio e Ailton cativaram a admiração dos participantes do Fórum. 

Realidade, fé e otimismo 


O diagnóstico é um teste de otimismo e fé. Manter-se firme e encarar sem drama foi a opção da Anna. "Continuei trabalhando e era até bom porque dava um sono, se eu fosse pra casa ia dormir o dia todo", conta. Ela descobriu a doença por causa de uma tosse que não cessava por nada até que, após uma broncoscopia, teve o diagnóstico. "Ela (a médica) se assustou mais que eu. Tem horas que a ignorância ajuda", diz bem-humorada. "Fumei muito, geração anos 70, comecei aos 18 e fui diagnosticada 10 anos após parar de fumar".


Com Ailton Apolinário tudo começou durante uma higienização matinal, quando notou algo diferente no escarro. "Sou muito precavido e já procurei a Dra. Ela disse que tinha uma alteração e pediu uma biópsia. Já suspeitei". Ailton só teve a confirmação na segunda biópsia. "É difícil receber a notícia, mas quando tem família tem que mostrar que está firme no negócio. Mas chorei e até hoje sinto vontade de chorar...", diz emocionado. Divertido, Ailton fez piadas de si mesmo e contou que aproveitou a careca para se tornar um militante da conscientização. "Um dia fui ao banco e tinha duas mulheres sentadas, fumando, aproveitei que estava pelado de tudo e dei um susto nelas. Não sei se parou de fumar, mas uma delas jogou o cigarro longe na mesma hora", contou aos risos. 


O caso de Olympio Pereira era assintomático. Descobriu por causa de uma hérnia de hiato que o incomodava na hora de dormir. "Um dia senti uma dor e fui ao cardiologista. Ele disse que meu coração estava aumentado e outra médica pediu uma tomografia", conta. "No resultado, ela estava meio pálida. Pensei: deve ter algum problema. Ela disse que havia aparecido uma massa branca. Neoplasia Maligna, esse nome é terrível".


Apesar da dificuldade de lidar com as questões emocionais da esposa e das quatro filhas frente a situação, Olympo não esmoreceu, manteve-se alto astral, ainda que o abatimento tenha feito investidas, e, assim como os outros colegas de mesa, enfrentou com responsabilidade o tratamento. Hoje, afastado da função de ministro em função do processo em torno da doença e do tratamento, Olympio gosta de relacionar sua experiência e estilo de vida atual com a conhecida letra de Almir Sater que diz "ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais", finalizou.