Anvisa aprova nova indicação de medicamento para câncer de pulmão

Anvisa aprova nova indicação de medicamento para câncer de pulmão

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar uma nova indicação do medicamento Xalkori (crizotinibe). Lançado no País em 2016, para o tratamento do câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) avançado relacionado à alteração genética do ALK, a partir de agora poderá ser utilizado também por pacientes que apresentem a mutação ROS1.

Com a nova aprovação, passa a ser a única terapia alvo-molecular para CPNPC aprovada no País para as duas indicações.  Em ambos os casos, os pacientes são, em geral, não fumantes, com idade inferior a 60 anos. 

Seguindo a linha da medicina de precisão, o medicamento inibe seletivamente receptores celulares que apresentam a alteração genética ROS1, impedindo ou reduzindo a multiplicação das células tumorais. Ao inibir esses receptores, o medicamento dificulta o desenvolvimento e a sobrevivência das células cancerosas, o que pode levar à estabilização da doença ou, até mesmo, à sua regressão.

A aprovação representa um importante exemplo da aplicação de novas tecnologias para o tratamento oncológico.  Ao focar em um grupo mais restrito de pacientes, com características genéticas semelhantes, esses medicamentos são direcionados a alvos muito específicos, melhorando as chances de respostas efetivas ao tratamento.

Os estudos clínicos mostram que os pacientes positivos para ROS1, tratados com Xalkori, apresentaram uma sobrevida livre de progressão da doença (SLP) maior em comparação àqueles tratados com as opções mais modernas de quimioterapia até então disponíveis.

 O crizotinibe passou a fazer parte do rol de medicamentos dos planos de saúde em 2018, após consulta pública que contou com a contribuição do Instituto Lado a Lado Pela Vida e de milhares de pacientes.


Terapia inovadora

Aprovado em mais de 90 países, Xalkori (crizotinibe) foi reconhecido como droga-órfã para o tratamento de pacientes com alteração do ALK e chegou a receber a aprovação acelerada do órgão regulatório norte-americano, o Food and Drug Administration (FDA), em 2011. Agora, a população com CPNPC que seja positiva para ROS1 também poderá se beneficiar do tratamento. Dada a raridade desta alteração, a aprovação de crizotinibe ocorreu baseada em estudos de fase 2, tendo em vista a necessidade crítica de novos tratamentos para pacientes com esse subtipo do tumor.