Políticas públicas devem aliar alimentação e atividade física no combate à obesidade infantil, diz ministro da Saúde

Políticas públicas devem aliar alimentação e atividade física no combate à obesidade infantil, diz ministro da Saúde
Crianças acima do peso têm mais chances de se tornarem adultos também obesos. A obesidade impacta no surgimento de doenças como diabetes e hipertensão

Com informações da Agência Saúde - No Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, falou sobre o crescimento da obesidade infantil no Brasil, relacionando-o com as mudanças dos hábitos alimentares e a falta de atividade física. "Os alimentos deixaram de ser manipulados, deixaram de ser colhidos pelos pais, pelas famílias e passaram a ser alimentos processados e ultraprocessados. E nós não tivemos os filtros necessários, e agora estamos colhendo os resultados dessas mudanças tão súbitas dos nossos hábitos alimentares tradicionais", disse o ministro, durante o II Encontro Regional sobre ações de prevenção da obesidade infantil, ao lembrar que a transição alimentar que aconteceu nos anos 70 e 80 contribui para a má nutrição das crianças de hoje.

Estudo recente aponta que crianças acima do peso possuem 75% mais chance de serem adolescentes obesos e adolescentes obesos têm 89% de chance de serem adultos obesos. Pesquisas do Ministério da Saúde indicam que 12,9% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos são obesas e 18,9% dos adultos estão acima do peso. Por isso, além de centrar ações nos primeiros dias de vida, como o incentivo ao aleitamento materno, o ministro destacou que as políticas de estímulo ao hábito saudável devem aliar ações de alimentação e atividade física.

"Quando a gente dialoga sobre obesidade infantil, a gente dialoga sobre dois pilares: um da alimentação e outro da atividade física. Por isso, temos que combater o tempo de tela das crianças que no mundo inteiro passaram a ficar mais reclusas, muito menos expostas aquelas atividades físicas da infância e da adolescência", afirmou o ministro. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um estudo em abril que diz que crianças de até 4 anos devem passar, no máximo, uma hora em frente a telas de forma sedentária, como assistir TV ou vídeos ou jogar no computador. Para quem tem até 1 ano, não é recomendado ter contato com telas; para as crianças de 1 ano, não é recomendado tempo sedentário de tela e, para as de 2 anos, um tempo de até uma hora (preferencialmente menos). Para aquelas que têm entre 3 e 4 anos, o tempo sedentário de tela também não deve ultrapassar uma hora, sendo quanto menos, melhor.

Durante o evento, o ministro da Saúde também defendeu que o incentivo ao hábito saudável envolva outros setores. "Sabemos que é preciso envolver outros agentes, como a economia, a agricultura, a política de educação, a política de esportes. Há uma série de pontes que precisam ser construídas para que a gente possa gradativamente ir reposicionando não só o Brasil, mas o mundo, na adoção de hábitos de vidas saudáveis", ressaltou Mandetta.

Estudo sobre obesidade infantil

O Ministério da Saúde iniciou o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) para mapear a situação de saúde e nutrição de crianças em todo o país, com informações detalhadas sobre hábitos alimentares, crescimento e desenvolvimento. Pesquisadores identificados com camisas e crachás com o nome e a fotografia, além do logotipo do Ministério da Saúde, estão batendo à porta de 15 mil domicílios brasileiros em 123 municípios que abrigam crianças menores de 5 anos. Essas informações ajudarão na construção de políticas públicas e estratégicas de promoção da saúde.