Inteligência Artificial detecta câncer de pulmão com 94% de precisão

Inteligência Artificial detecta câncer de pulmão com 94% de precisão

Algoritmo desenvolvido pelo Google foi testado em 6.716 diagnósticos conhecidos; performance foi melhor do que radiolistas sem exame prévio


 

Redação LAL - Um sistema de Inteligência Artificial desenvolvido pelo Google mostrou ser tão ou mais eficiente no diagnóstico de câncer de pulmão do que  radiologistas. A gigante de tecnologia publicou os resultados da pesquisa na revista Nature Medicine, na última segunda-feira (20).

O algoritmo de aprendizado profundo do Google foi testado em 6.716 diagnósticos conhecidos e acertou o resultado em 94% dos casos, por meio de tomografias computadorizadas atuais e anteriores de pacientes. Já quando não havia exame prévio, o modelo superou os seis radiologistas, diminuindo em 11% e 5% o número de falsos positivos e falsos negativos, respectivamente.

Segundo o Google, o projeto foi iniciado no final de 2017 e uniu avanços na modelagem volumétrica 3D com conjuntos de dados de parceiros, como a Northwestern University. Hoje em dia, os radiologistas analisam centenas de imagens 2D em uma única tomografia computadorizada, mas o câncer pode ser minúsculo e difícil de detectar.

"Criamos um modelo que pode não apenas gerar a previsão geral de malignidade do câncer de pulmão (vista no volume tridimensional), mas também identificar tecidos malignos sutis nos pulmões (nódulos pulmonares). O modelo também pode incluir informações de exames anteriores, úteis na previsão do risco de câncer de pulmão, porque a taxa de crescimento de nódulos pulmonares suspeitos pode ser indicativa de malignidade", escreveu Shravya Shetty, engenheira de software do Google e uma das autoras do estudo.

Para a empresa, a inteligência artificial pode acelerar a adoção do rastreamento de câncer de pulmão no mundo todo e os resultados iniciais são encorajadores. "Estudos adicionais avaliarão o impacto e a utilidade na prática clínica. Estamos colaborando com a equipe do Google Cloud Healthcare e Life Sciences para veicular esse modelo por meio da Cloud Healthcare API e conversando com parceiros em todo o mundo para continuar a pesquisa e a implantação de validação clínica adicional", explicou Shetty.

O câncer de pulmão é o primeiro mais comum no mundo todo, tanto em incidência quanto em mortalidade. Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 13% de todos os novos casos de câncer são de pulmão. No Brasil, são estimados 18.740 novos casos em homens e 12.530 em mulheres para 2019. Em 2016, 27.270 pessoas morreram de câncer de pulmão.

O tabagismo é ainda a causa mais comum para o desenvolvimento da neoplasia, mas não o único. O número de casos não relacionados ao fumo vem aumentando ano a ano. O diagnóstico precoce da doença é importantíssimo para o sucesso do tratamento, porém ele ocorre em apenas 20% dos casos.