¼ da população brasileira sofre com hipertensão arterial

¼ da população brasileira sofre com hipertensão arterial

SUS gastou mais de R$ 60 milhões com procedimentos de internação e ambulatorial em 2016. A adesão ao tratamento é importante para controlar a doença


O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, comemorado no dia 26 de abril, lembra a importância de manter a pressão sanguínea sob controle. A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de acidente vascular cerebral, infarto, aneurisma arterial e insuficiência cardíaca e renal. Apenas em 2016, foram registrados 983.256 procedimentos de internação e ambulatorial no Sistema Único de Saúde (SUS), com um custo total de R$ 61,2 milhões.

Estima-se que um em cada quatro brasileiros sofre com essa doença crônica e as doenças hipertensivas (renal ou cardíaca) vitimaram 49.635 pessoas em 2016 e 51.386, em 2017, segundo dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Já a pesquisa Vigitel 2017 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada nas capitais dos 26 Estados e no Distrito Federal pelo MS, apontou que a prevalência de hipertensão autorreferida é de 24,3% no país.

Na cidade do Rio de Janeiro, 30,7% dos adultos entrevistados afirmaram ter a doença, seguida por Maceió com 26,6% e Recife com 26,3%. A incidência da doença aumenta com a idade, chegando a 60,9% entre os adultos com 65 anos e mais; e é menor entre aqueles com maior escolaridade, chegando a 14,8% entre as pessoas com 12 anos ou mais de estudo. A Vigitel mostra ainda que as mulheres continuam com maior prevalência de diagnóstico médico de hipertensão (26,4%) quando comparado aos homens (21,7%).

A pressão alta não tem cura, mas pode e deve ser controlada. Dizemos que uma pessoa sofre da enfermidade, quando sua pressão arterial está igual ou acima de 14 por 9 - o valor considerado normal é 12 por 8. O fator hereditário é responsável por 90% dos casos, mas outros fatores ligados aos hábitos de vida do indivíduo influenciam nos níveis de pressão arterial, como consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, idade, consumo excessivo de sal, estresse, fumo e sedentarismo. "Quando estamos sobre violenta emoção ou estresse emocional, existe uma grande liberação de adrenalina, que pode aumentar os níveis de pressão arterial. Por isso, devemos evitar o estresse e as fortes emoções", explica o doutor Marcelo Sampaio, cardiologista e membro o comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Os sintomas da hipertensão arterial só aparecem quando a pressão está muito alta. Nesse caso, a pessoa pode ter dores no peito e na cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal. A única maneira de diagnosticá-la é medi-la regularmente. O MS aconselha que pessoas acima de 20 anos meçam a pressão ao menos uma vez por ano. Caso tenha casos da doença na família, deve-se medir no mínimo duas vezes.

O tratamento adotado varia de paciente para paciente e precisa ser acompanhado por um médico. Em um quadro de hipertensão leve, primeiro deve-se adotar o tratamento não medicamentoso, ou seja, o paciente precisa mudar seus hábitos de vida, como praticar exercício físico, diminuir a ingestão de sal e de bebidas alcoólicas, controlar o peso e o estresse, evitar alimentos gordurosos e controlar a glicemia, caso seja diabético. Caso a adoção de hábitos mais saudáveis não deem resultados, a introdução de um medicamento deve ser discutida com o médico.

Medir a pressão todos os dias deve ser considerado, quando, mesmo com o medicamento, os níveis continuem elevados. "Para pacientes que apresentem pressão bem controlada, a medida da pressão deve ser reservada para quando ele não se sinta bem, esteja sobre forte estresse emocional ou com uma dor de cabeça que não passa, por exemplo. Agora naqueles casos em que os níveis continuam muito elevados, com muita variação ao longo dos dias, medi-la diariamente vai identificar os momentos que ela fica mais elevada, o que ajudará o médico", afirma Dr. Sampaio.

A adesão ao tratamento é importante para controlar a doença e para a qualidade de vida do paciente. Estar com a pressão arterial controlada não significa que a medicação pode ser suspensa. A suspensão do medicamento pode levar a uma elevação súbita da pressão e aumentar o risco para o indivíduo. Além disso, ao apresentar elevação da pressão, o paciente também não pode aumentar a dose do medicamento por conta própria. "Quando o paciente está medicado, a pressão não deve subir. Se ela subiu é porque a medicação está com alguma falha. Ele não deve aumentar a dose do remédio sem falar com o médico. Juntos, paciente e médico podem estabelecer quais são as reais causas da elevação e adotar a melhor estratégia, que talvez seja trocar o remédio ou incluir mais um", coloca o membro do Comitê Científico do LAL.

Lembre-se que a pressão arterial sofre várias influências. Fatores dinâmicos, estáveis do organismo, e ambientais, que são instáveis e não previsíveis, podem alterar o valor. "Mesmo com o medicamento, pode haver uma variação. Com o tratamento, a redução do sal e do peso e a atividade física, os fatores estáveis são domináveis. Já os ambientais, como o estresse e horas de sono ruins, podem afetar a pressão e o medicamento pode não ser tão eficiente nesse caso. É importante ressaltar que a pressão arterial nunca tem o mesmo valor. Mas ela precisa estar dentro de uma faixa de normalidade", conclui o cardiologista.

 

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