COMO ASSIM, DR. FALCI?: Sete dicas para cuidar da saúde dos seus rins

COMO ASSIM, DR. FALCI?: Sete dicas para cuidar da saúde dos seus rins

Por Renato Falci Jr.*
Texto publicado em 03.07.2020


O mês de junho é o mês de conscientização do câncer de rim. Já estamos em julho, mas não podemos deixar que a saúde dos rins saia da pauta. Afinal, cuidar da saúde desse órgão tão importante para o funcionamento adequado de nosso corpo deve acontecer o ano inteiro, já que ele pode ser impactado por outras doenças, além do câncer.

Os rins são órgãos pares, altamente especializados, que têm a função de filtrar as impurezas do sangue, sejam fruto do metabolismo normal do organismo, sejam consequência da ingestão externa, como medicamentos e outros químicos. Além disso, apresentam outras funções menos conhecidas pela população, porém sem menor importância, como o controle da pressão, produção de hormônios e controle do pH e dos sais do organismo.

A unidade de filtração do rim se chama néfron e já nascemos com sua totalidade em número. Ao longo da vida, vamos progressivamente perdendo parte dessas unidades, de forma que a função renal total declina ao longo da vida. Quando se perde mais de 80% da função renal, atinge-se um nível crítico e, caso não se recorra às terapias de substituição renal - diálise ou transplante - , o indivíduo não sobrevive muito tempo. 

Considerando a expectativa de vida atual e o declínio natural da função renal, a maioria das pessoas terminará sua vida com função renal satisfatória, porém sem grandes reservas. No entanto, algumas doenças, renais e extra renais, bem como  alguns hábitos, podem aumentar o ritmo de perda da função renal, gerando a necessidade de diálise. 

Segundo o Inquérito Brasileiro de diálise crônica, publicado no Jornal Brasileiro de Nefrologia em 2017, na ocasião, 127.000 brasileiros estavam em diálise crônica e esse número vem se duplicando a cada 10 anos. Ou seja, trata-se de um problema de saúde importante. 

Para tentarmos evitar ou retardar o declínio natural da função renal, devemos primariamente nos atermos para as principais doenças que levam os pacientes à diálise e, com isso, tentar evitá-las. Sabemos que mais da metade dos pacientes que está em diálise é composta por hipertensos e diabéticos e que muitos deles têm doenças associadas, como obesidade, colesterol elevado e doença arterial crônica (saude.gov.br). Sabemos também que a prevalência de tabagistas e ex-tabagistas é maior na diálise, sugerindo que este hábito, por favorecer a arteriosclerose, também se associa à doença renal crônica. Além disso, é fato conhecido que alguns medicamentos podem intoxicar os rins. Com isso, podemos deduzir algumas recomendações para quem deseja preservar a boa função de seus rins. Abaixo, as principais:

1 - Trate a hipertensão. A elevação crônica da pressão arterial é responsável por uma série de danos no organismo. O rim, por ser um filtro, sofre bastante quando precisa trabalhar sob um regime de pressão elevada, pois seu filtro acaba rompendo e o glomérulo (unidade filtrante) se transformando em cicatriz (nefroesclerose). Portanto, quem é hipertenso, deve cuidar com muita atenção da sua pressão, realizando as consultas e o tratamento recomendado pelo seu médico. Quem não é hipertenso, deve realizar seu check-up habitual, pois na fase inicial, a hipertensão raramente gera sintomas e seu diangnóstico precoce é uma grande arma no tratamento.

2 - Trate do diabetes. O estado contínuo de glicemia elevada também é deletério aos rins pois leva à destruição da unidade filtrante (néfron). Seu controle, além de fazer bem para a saúde em geral, é uma excelente forma de preservar a função dos rins.

3 - Evite medicamentos tóxicos aos rins. Existem vários medicamentos potencialmente tóxicos aos rins, mas vamos destacar duas classes: os anti-inflamatórios e alguns antibióticos. Felizmente, a maioria dos antibióticos tóxicos são de uso intra hospitalar e, portanto, será sempre usado sob supervisão médica. Já os anti-inflamatórios, além de serem vendidos sem receita e terem baixo custo, são potentes analgésicos. Por esses motivos, são amplamente usados pela população, mesmo sem orientação médica. Pelo seu mecanismo de ação, eles diminuem temporariamente o fluxo sanguíneo renal e, seu uso prolongado, principalmente em idosos ou em quem já apresenta problemas renais, pode gerar piora significativa da função e, algumas vezes, de forma irreversível. Portanto, não use medicamentos sem orientação médica.

4 - Evite excesso de sal. Não se trata de ter uma dieta insossa, mas de evitar o abuso do sal. Só para ilustrar, um embutido tem mais de 20g de sódio por quilo, um pão normal tem 2% do peso seco desse mesmo composto. Enlatados e conservas também apresentam grandes concentrações de sal. Com isso, nossa necessidade diária é facilmente alcançada, mesmo sem a adição de sódio como tempero. O cloreto de sódio (sal de cozinha) não é tóxico aos rins, mas por elevar a pressão arterial e promover a retenção de líquidos pode, no longo prazo, colaborar com outras doenças prejudiciais ao órgão.

5 - Não abuse de vitaminas ou suplementos. Alguns suplementos ou vitaminas, em doses altas, podem ser tóxicos aos rins. Um exemplo é a vitamina D que, em doses normais, é fundamental para a boa saúde óssea mas, em doses elevadas, pode ser tóxica aos rins. Portanto, não use suplementos e vitaminas sem orientação médica, principalmente se fizer uso por longos períodos.

6 - Pare de fumar. O tabagismo, por aumentar a incidência de hipertensão e doença arterial, também prejudica os rins, já que esse órgão é denpendente de alto fluxo de sangue para seu funcionamento adequado.

7 - Mantenha-se hidratado. Não precisa exagerar. Manter uma diurese de aproximadamente um a dois litros por dia garante que os rins tenham um fluxo de sangue adequado para a correta eliminação das toxinas. Fique atento no verão ou durante a prática de esportes, onde a reposição de líquidos deve ser mais intensa.

Finalmente, não se esqueça de realizar checkups regulares e manter a saúde em dia. Cuidando bem da saúde como um todo, estará cuidando bem de seus rins.

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