Câncer de testículo pode ser evitado com higiene e diagnóstico precoce

Câncer de testículo pode ser evitado com higiene e diagnóstico precoce

Instituto Lado a Lado pela Vida firmou o compromisso de erradicar a doença no país no prazo de 10 anos

Publicado em 28.04.21


 

Abril recebe a cor Lilás para conscientizar a população sobre a prevenção do câncer de testículo, doença que, de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), corresponde a 5% do total de casos de câncer entre os homens. No entanto, esse tumor é facilmente curado quando detectado precocemente e com a higienização adequada do órgão masculino.

Segundo o Ministério da Saúde, a neoplasia afeta, de forma mais frequente, homens com idades entre 15 e 50 anos. Nessa fase o tumor pode ser confundido, ou até mesmo mascarado, por um processo inflamatório envolvendo o testículo. Por isso muitas vezes a doença é detectada tardiamente, já em estágio grave.

O número de mortes pela doença chega a 446 pessoas por ano no Brasil. Por isso, os homens devem ficar atentos a qualquer alteração nos testículos.

A melhor coisa a ser feita é o autoexame da área. Dessa forma é possível detectar precocemente a doença e tratá-la. Um dos sinais mais comuns da doença é o aparecimento de um nódulo duro que, raramente, provoca dor. Mudanças no tamanho do testículo, sensação de peso ou dor na região abdominal e sangue na urina são indícios de câncer. Quando diagnosticado na fase inicial tem 90% de chances de cura.

O tumor testicular é mais comum em pessoas que sofreram algum tipo de traumatismo no local, por isso a maior incidência em atletas. O mesmo ocorre em crianças que tiveram alguma disfunção congênita, ou seja, quando o testículo nasce fora da posição normal. Nesse caso é preciso atenção.

Hoje em dia, uma das principais barreiras para o diagnóstico e tratamento do câncer de testículo é o preconceito. Muitos homens têm vergonha de falar sobre o assunto e, por isso, retardam a procura de um médico especialista. Outra questão que também é deficiente é a informação. Existem poucas ações que conscientizam o público sobre essa neoplasia.

O Instituto Lado a Lado pela Vida tem feito um trabalho intenso de informação e alerta aos homens sobre esse tumor. Como parte da sua campanha "Novembro Azul", o LAL criou também a ação "Lave o Dito Cujo" que por meio de uma comunicação mais lúdica, conscientiza a população masculina sobre o câncer de pênis. "É muito importante que todos entendam que o Instituto LAL tem feito um trabalho forte para diminuir os números do câncer de pênis no Brasil", disse Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, durante webinar sobre o assunto, realizado em agosto do ano passado.

Instituto LAL: um trabalho intenso para erradicar o câncer de pênis no Brasil

O Instituto Lado a Lado criou em 2011 a campanha Novembro Azul que tem como foco principal a conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Durante todos esses anos, o assunto se multiplicou e todas as fases da vida do homem foram abordadas pelo LAL, e o câncer de pênis tem sido um dos assuntos discutidos em ações, como o Lave o Dito Cujo e webinares.

Em agosto do ano passado, o Instituto realizou o webinar "Câncer de Pênis no Brasil" . Marlene Oliveira reuniu especialistas e representantes do Ministério da Saúde, de governos estaduais e do Congresso para discutir o assunto.

Durante o webinar foi firmado um pacto entre todos: o de erradicar o câncer de pênis no Brasil em um período de 10 anos. A deputada Carmem Zanotto, convidada do debate, propôs regras para bater essa meta "O que eu proponho é que, a partir do debate de hoje, a gente tenha um caminho de ações de prevenção, com regras audaciosas para erradicar, em 10 anos, o câncer de pênis", disse ela.

Concluiu-se que há dois caminhos para que isso aconteça: informação por meio de ações e campanhas e a capacitação profissional.

O embaixador do Novembro Azul, o atleta Vinicius Zimbrão, tem levado essa mensagem do Instituto Lado a Lado pela Vida em suas ações e por onde passa, afinal, ele descobriu um câncer de testículo em 2015. Ele não só conseguiu superar essa fase ruim da sua vida como também inspirou outras pessoas a praticar atividades físicas.

Embaixador do Novembro Azul e sua experiência com o câncer de testículo

O atleta e educador físico Vinicius Zimbrão, 46 anos, chamou a atenção do Instituto Lado a Lado pela Vida por ser uma inspiração. Sua história de superação do câncer de testículo e o incentivo que ele deu ao seu público para cuidar da saúde fez com que se tornasse o embaixador da campanha Novembro Azul.

Sua história com o esporte começou cedo. Desde a adolescência gostava de correr. Se formou em Educação Física e começou a competir em provas de ciclismo e corrida de aventura. Durante 10 anos participou desse estilo de corrida e dedicou-se, seriamente, fazendo viagens, competindo e ganhando provas.

A disciplina, a seriedade e a resistências na prática do esporte foram as bases para que ele superasse o que estava por vir. Aos 39 anos ele começou a sentir mudanças em seu testículo "Comecei a sentir dor e inchaço nos testículos. Não dei muita importância. Passou alguns meses e minha namorada da época insistiu para que eu fosse ao urologista. Aí foi tudo muito rápido, já estava em um grau muito avançado", explica Zimbrão.

A falta de informação sobre a doença e a rapidez como as coisas aconteceram fizeram com que o atleta nem tivesse tempo para pensar no que estava acontecendo "Fui examinado em uma segunda e na quarta eu já fui operado. Não deu tempo de processar. Achei que ia fazer uma biópsia para ver o que eu tinha e que não seria nada demais. Só fui descobrir que era um câncer quando sai da cirurgia", continua.

Zimbrão saiu da cirurgia e já começou as sessões de quimioterapia, no total foram 21. Seu estado era grave e já estava com metástase na região abdominal. Quando perguntado qual foi a parte mais difícil de todo esse processo, o educador físico diz, categoricamente, que é a descoberta por causa do estigma que a palavra câncer tem "Quando você identifica a palavra câncer, culturalmente, já vem o pensamento da morte, do fim, da sentença e então, para mim, o pior é a descoberta. Depois que já sabe e começa a ver que tem tratamento e tem esperança, a energia muda", diz ele.

E a energia mudou mesmo. Durante o tratamento, despretensiosamente, Zimbrão criou uma corrente. Tudo começou quando publicou em suas redes sociais sobre o que estava passando e que, já que não poderia treinar como gostaria, as pessoas fizessem isso por ele "Criei essa corrente do bem. Não imaginei que iria ganhar tamanha proporção. Durante esse processo de cumplicidade, das pessoas me apoiando, um amigo me sugeriu criar um slogan porque o movimento estava crescendo. Fiquei pensando nisso e veio a frase na minha cabeça  "Viver inspira a cura". A frase é bonita, mas na verdade o que ela traz é uma percepção do momento presente, do aqui e agora. Comecei a pensar nas doenças crônicas como diabetes, por exemplo, que as pessoas tomam os seus remédios e vivem normal. Não tem cura. Quando se fala em câncer há o estigma de morte e as pessoas ficam deprimidas, sofrem preconceitos por causa do visual do câncer. Eu sofri preconceito. As pessoas quase me davam os pêsames", conta Zimbrão.

O "Viver inspira a cura" vai muito além do que um slogan, ela traz a mensagem de que não importa o tempo que você tenha aqui, vivo "A gente não sabe quando vai morrer, isso é tão óbvio, mas a gente não lida com essa possibilidade. Quem vai dizer a hora que eu vou morrer? Não é um câncer. Eu posso ser atropelado, morrer de diversas formas, então porque eu tenho que ficar deprimido e sofrer por um tratamento que pode me deixar vivo por muito mais tempo?", explica o atleta.

Hoje Zimbrão está curado. Continua fazendo os exames periódicos e ganhou uma missão: ser engajado na saúde do homem "Graças ao Instituto Lado a Lado pela Vida tive esse chamado para falar sobre a minha história. Em um primeiro momento para falar da minha história de superação e de como incentivei as pessoas a se exercitarem, mas o meu contato com o Instituto fez com que eu percebesse que saúde do homem vai muito além de uma questão fisiológica e aparecimento de tumores. A saúde do homem está relacionada ao comportamento, ao machismo estrutural. Então tenho, cada vez mais, me debruçado nessa questão do machismo estrutural. Tento desconstruir essa relação do homem com a saúde, com o cuidado e de não ser vulnerável. Me tornei uma voz nessa desmistificação do machismo", comenta ele.

Depois de tudo o que o educador físico passou e de sua história que encoraja a superar desafios, Zimbrão diz que quer deixar a mensagem do "Viver inspira a cura" e de que não se deve deixar abater por sentenças de morte "Não existe esse tipo de cálculo, somos impermanentes, podemos morrer a qualquer momento, então, não se abata com alguma diversidade que surgir no caminho e sim analise as alternativas. Mesmo que não haja alternativas a gente tem que achá-las, cria-las", finaliza o atleta.