Câncer de Colo de útero

O que é

Esse tipo de câncer atinge os órgãos reprodutores femininos – o colo uterino ou cérvix – localizados na parte inferior do útero, próximo ao canal vaginal. É formado por duas principais células: as escamosas e as células glandulares. Essas células são localizadas na zona de transformação, onde surge a maior parte dos cânceres do colo do útero.

A proliferação das células cancerosas acontece pelo não tratamento de lesões que são provocadas em sua maioria pelo vírus transmissível HPV.

Cerca de cinco mil brasileiras por ano são vítimas da doença que poderia ter grande parte dos seus casos prevenidos com o exame anual de Papanicolau e vacina de HPV. A estimativa do INCA é de mais de 16 mil novos casos para este ano.

O câncer do colo do útero é o 3º mais frequente nas mulheres brasileiras e o 4º na lista de responsáveis pelas mortes por câncer no país. 

Sintomas

O câncer do colo do útero pode não apresentar sintomas na fase inicial. É preciso ficar atento ao seu corpo e às modificações nele.

Procure um médico se você identificar:

  • Sangramento vaginal
  • Corrimento ou secreção
  • Dor vaginal após relações sexuais
  • Dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais

Fatores de Risco

Pelo HPV ser o maior predisponente do desenvolvimento deste tumor – presente em cerca de 90% dos casos –, os fatores que levam à contaminação pelo vírus também são grandes influenciadores para o câncer do colo do útero, como ações relacionadas à vida sexual:

  • Atividade sexual precoce
  • Prática sexual com vários parceiros
  • Sexo sem preservativo (camisinha)
  • Histórico de Doenças Sexualmente Transmissíveis

Prevenção

O que você precisa saber sobre o HPV?

São mais de 200 tipos diferentes de vírus do HPV e 13 deles apresentam maior risco de desenvolver o câncer do colo do útero. A manifestação pode ocorrer na vagina, pênis, ânus, faringe e esôfago.

Para ajudar na prevenção, além de evitar os fatores de risco, existe a vacina contra o HPV, disponível na rede pública* e privada. Ela protege contra quatro subtipos: 6, 11, 16 e 18.   Os tipos 16 e 18 do vírus HPV são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero.

*A vacina está disponível na rede pública para meninas de 9 a 13 anos, em duas doses, com um intervalo de 6 meses entre a primeira e a segunda. E para meninas e mulheres de 9 a 26 anos diagnosticadas com HIV, em três doses, com um intervalo de 2 meses a cada vacina. Apesar da importância, as metas de imunização não foram atingidas. Medo, preconceito e desinformação são algumas das causas da baixa procura.

Além de prevenir os fatores de risco é preciso fazer o rastreamento para um diagnóstico precoce da doença. O exame mais indicado é o Papanicolau, que identifica lesões percursoras que podem se transformar em células cancerosas.

Mulheres entre 25 e 64 anos com vida sexual ativa podem realizar o exame anualmente. Essa recomendação é válida mesmo para quem recebeu as doses da vacina de HPV, levando em consideração que ela não protege contra todos os subtipos do vírus.  

Cerca de 90% dos casos* de verrugas genitais estão relacionados com os subtipos 6 e 11 do vírus do HPV. 

Tratamento

Quanto mais cedo for o diagnóstico da doença, maiores são as chances de cura. Os métodos mais comuns usados no tratamento são:

  • Cirurgia (Histerectomia, Conização, Criocirurgia, Cirurgia a laser)
  • Radioterapia
  • Quimioterapia
  • Braquiterapia

Eles podem ser aplicados de forma isolada ou em conjunto. Essa definição é feita após o estadiamento da doença.

Mulheres que ainda desejam engravidar devem comunicar ao médico para planejar a preservação do útero, caso seja possível.

Diagnóstico

O exame de  Papanicolau  é o mais usado e previne o câncer do colo do útero, com o diagnóstico precoce de lesões e a identificação do vírus HPV.

Quando o caso é confirmado, outros exames podem ser feitos para definir o estadiamento do câncer, ou seja, as condições de tamanho, tipo e localização do tumor. Algumas vezes, apenas o exame físico é suficiente.

  • Tomografia computadorizada:  verifica se as células cancerosas se disseminaram por alguma parte do corpo (gânglios linfáticos, abdômen e pelve, fígado, pulmão).
  • Ressonância magnética:  é utilizada para identificar se houve metástase para o cérebro ou medula óssea.

Reabilitação

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menos tempo de reabilitação será necessário após o tratamento. A fisioterapia pélvica é a forma mais usada para tratar os efeitos colaterais após a cirurgia.

As complicações mais comuns são:

  • Incontinência urinária: tratada com eletroestimulação, cinesioterapia e biofeedback.
  • Estenose vaginal: tratada com reeducação e massagem perineal e dilatação vagin
  • Disfunções sexuais: tratada com eletroestimulação, biofeedback, dilatação vaginal e massagem perineal.
  • Linfedema de membro inferior: compressão pneumática, auto-massagem linfática, exercício miolinfocineticos e denagem linfática manual.