Câncer de Bexiga

O que é

A bexiga é um órgão flexível, localizado na pelve (bacia) e com o formato aproximado de uma bola. Sua principal função é armazenar a urina antes que ela seja eliminada pelo organismo. Após ser produzido pelo rim, o xixi é transportado até a bexiga por meio dos ureteres. Durante a micção, os músculos da bexiga são contraídos e o líquido é expelido pela uretra.

 Os tumores de bexiga são duas a três vezes mais comuns nos homens, e duas vezes mais frequentes em homens caucasianos (brancos) do que em negros.

O câncer de bexiga costuma ser diagnosticado entre os 60 e 70 anos de idade. Geralmente, aparecem um ou mais tumores pequenos e superficiais próximo à mucosa de revestimento interno do órgão. Calcula-se que cerca de 25% das pessoas que tenham câncer de bexiga poderão ter um segundo tumor primário em outro local do sistema urinário.

Há diferentes tipos de cânceres de bexiga. Eles são divididos nos tipos de células onde o tumor se inicia. Os não invasivos ainda não invadiram camadas mais profundas. Já os cânceres invasivos são mais propensos a se disseminarem e mais difíceis de tratar.

Cerca de 90% dos tumores da bexiga são chamados de carcinoma de células transicionais. Ele é bastante frequente por ter origem nas células uroteliais, que revestem a parte interna do órgão. São divididos em baixo grau e alto grau (de proliferação rápida).

  A bexiga

 Nos homens, a bexiga está situada na parte inferior do abdômen, logo à frente do reto. Sua parede é formada por três camadas de tecido:

  • Camada mucosa, que recobre seu interior.
  • Camada muscular, formada por fibras de músculo liso
  • Camada adventícia (ou serosa), que recobre a parte mais externa.

A maioria dos cânceres de bexiga começa no urotélio, que é a camada de células mais interna da bexiga. Ela reveste o interior do ureter, a bexiga, a uretra e algumas partes do rim.

Sintomas

Considerado um câncer silencioso, na fase inicial o câncer de bexiga evolui sem apresentar sintomas. Mas a evolução do tumor pode apresentar alguns sinais. Conheça:

  • Sangue na urina: também chamado de hematúria, esse sintoma está presente em 90% dos pacientes com câncer de bexiga e é causada pelo rompimento de vasos sanguíneos no interior do tumor ou da mucosa do órgão.

Dependendo da quantidade de sangue, o xixi pode ter uma cor alaranjada ou vermelha-escura (menos comum). Em alguns casos, a quantidade de sangue é tão pequena que pode ser visualizada somente por meio de um exame urina.

Muitas vezes, esse sintoma erroneamente não é levado em consideração pelo paciente, já que a presença de sangue pode não ser contínua, aparecendo em um dia e, no outro, não.

  • Sensação de ardor, urgência e vontade incontrolável de urinar.
  • Dores pélvicas: geralmente, ocorrem em casos avançados, e podem ser acompanhadas de inchaço nas pernas e dor óssea.
  • Perda de apetite: acompanhada por perda de peso, anemia e cansaço, é frequente na fase metastática.

Atenção: sangue na urina não significa, necessariamente, câncer de bexiga. Pedras nos rins, infecção ou outras doenças também podem apresentar esse sintoma. Procure seu médico para um diagnóstico mais preciso.

Fatores de Risco

O sexo masculino é mais propenso a ter esse tipo de câncer. Entre os fatores de risco, estão:                

  • Genética: se algum parente de primeiro grau teve a doença, aumentam as chances de se ter o câncer de bexiga.
  • Exposição à radioterapia, medicamentos e outras substâncias: quem trabalha com borracha, couro e tintas corre mais riscos de adquirir a doença. Além disso, pacientes que foram expostos à radiação devido à quimioterapia também estão mais propensos ao câncer de bexiga.
  • Idade: as chances de adquirir o câncer aumentam conforme a pessoa envelhece. A doença é mais comum após os 40 anos de idade.
  • Ingerir pouco líquido: ao beber bastante líquido durante o dia, ocorre maior diluição das substâncias tóxicas da urina e aumento da micção.
  • Inflamação crônica na bexiga: quem tem teve infecções crônicas no trato urinário e, especialmente, na bexiga, bem como inflamações, pode ter o risco da doença aumentado.
  • Raça e etnia: pessoas caucasianas (de pele branca) têm cerca de duas vezes mais chances de desenvolver câncer de bexiga do que as demais.
  • Tabagismo: as substâncias cancerígenas encontradas no cigarro são absorvidas pelo trato digestivo e misturam-se com a urina após o processo de filtração renal. Com isso, as paredes internas do órgão acabam sofrendo alteração celular, que podem levar ao câncer.

Prevenção

Mesmo não havendo nenhuma garantia ou forma de evitar o câncer de bexiga, algumas atitudes podem reduzir o risco de se desenvolver a doença. Confira e adote-as no seu dia a dia:

  • Pare de fumar. Assim, as substâncias cancerígenas não serão armazenadas na bexiga, evitando o desgaste do revestimento interno do órgão. Os fumantes de cigarros e charutos são duas a três vezes mais propensos do que os não-fumantes de ter câncer de bexiga.
  • Ao trabalhar com produtos químicos, siga todas as instruções de segurança para evitar a exposição exagerada.
  • Beba mais água (cerca de 2 L por dia). O líquido evita a formação de pedras na bexiga e dilui na urina as substâncias tóxicas absorvidas pelo corpo.
  • Mantenha uma dieta equilibrada. Uma alimentação rica em frutas e vegetais também pode ajudar a prevenir o câncer de bexiga.
  • Mantenha uma rotina de atividades físicas. Os exercícios ajudam a eliminar toxinas que são prejudiciais às células.

Tratamento

O estágio da doença, da gravidade dos sintomas e da saúde geral do paciente são determinantes para a escolha do tratamento do câncer de bexiga.

No estágio inicial pode ser indicada uma cirurgia para remover o tumor sem remover a bexiga, acompanhada de quimioterapia ou imunoterapia diretamente no órgão. Nesses casos há também a possibilidade de tratamentos intravesicais.

Em estágios mais avançados, podem ser feitas cirurgias para remover a bexiga inteira (cistectomia radical) com a remoção dos gânglios linfáticos próximos ou cirurgia para remover somente parte da bexiga (cistectomia parcial). Se a bexiga for removida, há a necessidade de reconstrução do órgão para armazenamento e eliminação da urina.

A quimioterapia pode ser utilizada antes da cirurgia para tentar reduzir o tamanho do câncer, facilitando a remoção durante o procedimento cirúrgico. Após a cirurgia, ela tem o objetivo de destruir as células cancerígenas. Este procedimento pode ser sistêmico, ou seja, o tratamento é realizado na forma de medicamentos ou injetado na veia; ou intravesical, quando a quimioterapia é aplicada diretamente na bexiga através de um tubo introduzido pela uretra.

Após o tratamento, o acompanhamento deve ser feito com uma equipe multidisciplinar formada por oncologista e urologista. Além disso, exames de rotina devem ser realizados, como exame de urina, ecografia e tomografias – conforme a necessidade.

Diagnóstico

Ao procurar o médico, o paciente deverá relatar seu histórico clínico completo, passando informações sobre os sintomas, os fatores de risco e a genética. Na ocasião, pode ser realizado um exame físico para avaliar a região abdominal. Alguns exames de imagens poderão ser solicitados:

  • Análise de amostras: confirma ou não a presença do câncer durante a biópsia. Por meio dele também é possível identificar o tipo de câncer.
  • Endoscopia digestiva alta: é um dos principais exames utilizados para identificar o câncer de estômago. O procedimento acontece após o paciente ser sedado. O médico insere um tubo flexível com luz e câmara na extremidade pela garganta para averiguar o esôfago, o estômago e a primeira parte do intestino delgado. Se alguma lesão é encontrada, realiza-se uma biópsia. O câncer, ao ser visualizado, parece uma úlcera, massa em formato de cogumelo com saliências.
  • Laparoscopia: após a confirmação do câncer, os especialistas podem pedir esse exame para confirmar a localização do tumor e se pode ser removido cirurgicamente. Nesse procedimento um tubo fino e flexível com câmera na extremidade é introduzido no paciente por uma pequena abertura cirúrgica na região abdominal. Sendo assim, ocorre a visualização do interior do abdome.
  • Exames laboratoriais: um hemograma completo pode detectar a presença de anemia, que pode causar uma hemorragia interna. Também pode ser solicitado um exame de sangue oculto nas fezes.
  • Ultrassom endoscópico: é uma técnica que utiliza ondas sonoras de frequência que produzem imagens em tempo real de órgãos tecidos e fluxo sanguíneo do corpo. O médico consegue visualizar as camadas da parede do estômago, assim como os gânglios linfáticos e outras estruturas.
  • Tomografia computadorizada: por essa técnica é possível visualizar fatias de regiões do corpo, por meio da rotação do tubo emissor de raios-x ao redor do paciente. Alguns desses exames podem ter contraste, quando deseja-se observar mais claramente os detalhes e ter um diagnóstico mais preciso. Com a tomografia é possível realizar a biópsia em uma área suspeita de ter uma lesão cancerígena com precisão.
  • Ressonância magnética: é um método de diagnóstico por imagem, que utiliza ondas eletromagnéticas para a formação de imagens. Permite avaliação dos órgãos internos, sem a utilização do raio-x e proporciona uma visão mais abrangente da região gástrica.
  • PET-CT: a tomografia por emissão de pósitron (PET) mede os sinais da doença por meio de combinação entre medicina nuclear e análise bioquímica, que permite uma visualização do corpo por meio das moléculas. Só é utilizado em alguns casos, para averiguar se o câncer passou para outras partes do corpo.
  • Radiografia de tórax: o procedimento verifica se a doença se disseminou para os pulmões.