Workshop sobre câncer de pulmão marca Dia Mundial Sem Tabaco

Workshop sobre câncer de pulmão marca Dia Mundial Sem Tabaco

O câncer de pulmão é o que mais mata no mundo. No Brasil, 22 mil pessoas são vítimas da doença por ano. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, o cigarro não é o único vilão.

O aumento nos números de câncer de pulmão - especialmente entre não fumantes - faz crescer a preocupação e a reflexão sobre as causas da doença além do tabagismo. Com o objetivo de debater, de maneira inédita, outros fatores de risco, o Instituto Lado a Lado pela Vida promoveu no dia 31 de maio, Dia Mundial de Combate ao Fumo, o I Workshop Lado a Lado Câncer de Pulmão - Um novo olhar para as causas e possibilidades de tratamento.

"Temos estudos internacionais recentes que mostram o aumento do câncer de pulmão entre os não tabagistas", alerta o médico oncologista titular e coordenador do Serviço de Segunda Opinião em Oncologia do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes Hospital São José - Beneficência Portuguesa de São Paulo. "Nos Estados Unidos, ficava na ordem de 8 a 9% dos casos. Agora chega a 20% de não fumantes com a doença".

Além das questões que envolvem o fumante passivo e a poluição ambiental, o médico chama atenção para a exposição ao gás radônio (que se origina do decaimento do urânio), que pode estar presente dentro dos ambientes, inclusive em residências de áreas de risco. Dr. Marcelo Cruz avisa que "de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, o radônio é a segunda causa para o desenvolvimento de câncer do pulmão, só ficando atrás do cigarro - e é a primeira causa entre não-tabagistas".

O médico alerta que conhecer esses e outros fatores é fundamental não só para criação de campanhas educacionais, mas para reverter o quadro. Para o Dr. Marcelo Cruz, é essencial entender o tamanho do problema nas diversas áreas do país, já que existem poucos estudos. "O primeiro passo é rastrear onde estão as áreas de risco e ver com autoridades o que fazer. Não queremos somente apontar o problema, mas criar soluções".

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Além do Dr. Marcelo Cruz, a iniciativa reuniu especialistas e pesquisadores de diversas áreas, inclusive do direito (confira o programa), além de pacientes. "Eu me sinto entre amigos", disse Ivani Fernandes Ferreira Parra, em seu depoimento emocionando os participantes. Ela é exemplo de uma paciente não fumante diagnosticada com câncer de pulmão.

A médica Verônica Hughes também emocionou os participantes com seu depoimento: ela foi diagnosticada com câncer de pulmão há 12 anos, este provocado pelo cigarro. A mãe de Verônica e o pai, o escritor Eduardo Galeano, morreram desse câncer. Verônica apoia uma campanha e petição pela padronização das embalagens de cigarro.

A troca de conhecimento fortaleceu a vontade de buscar políticas públicas e soluções para garantir acesso à saúde e diagnósticos antecipados. Um dos problemas enfrentados pelos profissionais de saúde, que dificulta a cura da doença, é o diagnóstico tardio, bastante comum nesse tipo de tumor.

"A realização desse evento foi muito importante e pioneira. Abrimos uma importante discussão sobre o câncer além do tabagismo, com um novo olhar para as causas e possibilidades de tratamento", conclui Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Durante o workshop, especialistas participaram de transmissões ao vivo, dividindo com os internautas os principais temas discutidos. É possível conferir todas as entrevistas na fan page do Instituto. Veja ainda a cobertura do evento em vídeo do Dr. Drauzio Varella.