Segurança medicamentosa tem enfoque precário na grade curricular da Saúde

Segurança medicamentosa tem enfoque precário na grade curricular da Saúde

O enfoque dado à farmacovigilância na grade curricular de formação dos profissionais da saúde também foi tema de discussão no I Fórum de Segurança Medicamentosa do Paciente, realizado ontem na Universidade Brasília. Segundo pesquisa feita pela Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Medicina (ABLAM) em universidades, 73% dos acadêmicos entrevistados tiveram abordagem superficial do tópico.

Para o presidente da Ablam, Leandro Iuamoto, as ligas acadêmicas podem ser uma alternativa para a nova geração de profissionais se aprofundar no assunto e aplicar conhecimentos na comunidade. Segundo ele, o número de ligas - que podem tratar de uma variedade de especialidades e temas - tem aumentado.

A responsabilidade sobre a segurança medicamentosa do paciente permeia todas as áreas da saúde. A presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal, Gilcilene El Chaer, informou que é obrigação do farmacêutico notificar os profissionais de saúde e órgãos sanitários dos efeitos colaterais, reações adversas, farmacodependência e intoxicações.

Gilcilene defende a necessidade de aperfeiçoamento profissional, parcerias entre instituições e profissionais e novas diretrizes curriculares. "Para fazer um atendimento de farmacovigilância efetivo o farmacêutico também precisa da grade de conteúdos humanísticos", ela exemplifica. Essa atuação interdisciplinar, segundo a presidente, ajudaria a desafogar outros serviços do SUS.

Gilney Guerra, presidente do COREN-DF, falou sobre o currículo de enfermagem. Ele criticou a formação destes profissionais feita integralmente na modalidade a distância e as condições de trabalho da saúde em todo o país. "Essas situações aumentam a incidência de erros que a colocam a segurança do paciente em risco", afirmou.

Mirhelen Abreu, professora da Faculdade de Medicina da UFRJ, afirmou, em apresentação, que a dificuldade de desenvolver uma profissão multidisciplinar pode ser um dos motivos do enfoque precário ao tema da farmacovigilância. "A revisão de valores e reconstrução do currículo é o caminho para começarmos a mudar esse cenário comportamental", concluiu.

Balanço e propostas

A última mesa do evento debateu os desafios para levar informação a todos os pacientes. Os convidados enfatizaram a importância das redes sociais, da geração de conhecimento através de pesquisas e de eventos como o Fórum para reunir players na tentativa de mudar o cenário.

As associações e grupos de paciente também ganharam destaque na discussão. Para os presentes, ONGs e associações devem ser agentes na educação da população, promovendo informação de qualidade e empoderando as pessoas a tomarem atitude e exigirem seus direitos.

Participaram do debate, moderado pelo diretor da Clapbio Ricardo Garcia, Carlos Varaldo, do Grupo Otimismo, Priscila Torres, da Biored Brasil, Denise Blaques, do Instituto Lado a Lado Pela Vida, Cássia Montouto, do Instituto Oncoguia, e Melissa Abreu, da Abrale.

Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado Pela Vida, encerrou o evento propondo uma aliança estratégia e um diálogo mais próximo entre órgãos reguladores, profissionais da saúde, ONGs e associações de pacientes.

Um documento deve ser elaborado com estratégias e ações que promovam a aproximação entre conselho, academia, profissionais e pacientes. Os resultados e balanço das propostas serão apresentados na próxima edição do Fórum, ainda sem data.