Reações adversas aos medicamentos são responsáveis por 197 mil óbitos

Reações adversas aos medicamentos são responsáveis por 197 mil óbitos

A farmacovigilância tem impactos não só na segurança do paciente como também nos custos da saúde. Segundo dados apresentados durante painel de discussão do I Fórum Segurança Medicamentosa do Paciente sobre o cenário nos sistemas público e privado, as reações adversas aos medicamentos respondem por 197 mil óbitos e têm um custo de 79 milhões de euros.

Para o coordenador institucional e secretário do grupo de apoio aos pacientes reumáticos do Ceará, Marco Aurélio Tavares Azevedo, o paciente não é orientado de forma adequada sobre o uso e as condições de armazenamento dos medicamentos nos consultórios. "Hoje uma consulta leva oito minutos, quando o deveria ter 40". Segundo ele, essa lacuna tem feito pacientes buscarem orientações sobre tratamento e direito de acesso em associações e grupos de apoio.

O Programa Nacional de Segurança do Paciente, do Ministério Público e Anvisa, tem como objetivo melhorar a segurança na prescrição, no uso e administração dos medicamentos. Segundo Márcia Gonçalves de Oliveira, gerente de Farmacovigilância da Anvisa, o monitoramento de práticas não pretende criar uma cultura punitiva, mas melhorar procedimentos.

A vigilância pós-comercialização é um procedimento posto em marcha depois da autorização de registro de um novo fármaco. Esse mecanismo é desenhado para buscar informações de uso real sobre o medicamento para uma indicação particular assim como a aparição de efeitos indesejáveis, efeitos adversos e queixas técnicas.

Luiz Kitamura, gerente de Marketing e Captação de Recursos na ADJ Diabetes Brasil, apresentou alguns desafios da associação para garantir tratamento de qualidade aos portadores de diabetes, como a avaliação dos glicosímetros (que têm apresentado diferenças de resultados) e a incorporação das insulinas análogas para crianças e adolescentes diabéticos.

Tatiane Garcia Schofield, diretora jurídica da Interfarma, e Ana Carolina, da Agência Nacional de Saúde Complementar, ANS, também participaram do debate.

O I Fórum Segurança Medicamentosa do Paciente é uma realização em advocacy do Instituto Lado a Lado pela Vida, em parceria com o Centro Latino Americano de Pesquisa em Biológicos (CLAPBio). Os debates foi sediados pela Universidade de Brasília (UnB) e serão a base para o desenvolvimento de propostas e agenda estratégica na área.