Radônio é a principal causa de câncer de pulmão em não fumantes

Radônio é a principal causa de câncer de pulmão em não fumantes

"Precisamos de políticas públicas que façam medição do radônio e monitoramento nas residências". O alerta é feito por Yula Merola, colaboradora do Projeto de Pesquisa de Câncer e Radiação Natural, que exerceu a função de Coordenadora do Registro de Câncer de Base Populacional de Poços de Caldas de 2009 a 2014. Esse estudo é a única pesquisa populacional sobre o tema no Brasil. Yula explica que a pesquisa comprovou que o radônio é um gás que causa câncer. "Comparamos com outros países. Ele está presente em todas as residências e precisa ser monitorado", avisa.

Segundo Yula, o alerta em Poços de Caldas começou por causa das minas de urânio. Houve uma preocupação da Comissão Nacional de Energia Nuclear em medir os usineiros, para atender uma obrigação legal de medições em minas de urânio.

Mas a população de Poços de Caldas começou a mandar avisos ao Instituto do Câncer (Inca) de que na cidade havia mais registros de câncer do que em outros locais do País. Começaram os estudos e junto com as medições feitas nas residências Yula passou a analisar os doentes. "Em Poços orientamos a população a abrir a janela. Há maior concentração de radônio em residências nas cidades frias, porque as janelas ficam fechadas".

A pesquisadora cita exemplos de outros países que já tomam medidas preventivas, como os Estados Unidos, onde é simples realizar a medição. "Nos Estados Unidos há kits no supermercado. A pessoa compra, deixa na casa, depois manda para o órgão que faz a medição com as recomendações de acordo com a dosagem".

Outro problema apontado por Yula é o valor de referência máxima de radônio no ambiente. "A Comissão Nacional de Energia Nuclear considera risco acima de 300 becqueréis por metro cúbico (Bq/m3). Essa taxa de referência é para minas de urânio. Não há um índice para residências", ressalta. (Nos EUA, a taxa máxima é de 148 Bq/m3; na Europa, de 200 Bq/m3. A Organização Mundial da Saúde propôs a redução dos níveis de exposição para valores inferiores a 100 Bq/m3 - Bq/m3: concentração média anual).

    Devido à forte correlação entre exposição ao Radônio e aumento da incidência de câncer de pulmão, o Radônio é classificado como um carcinógeno de classe I pela InternationalAgency for ResearchonCancer.
    Ele é um gás radioativo liberado do solo em regiões ricas em minério como urânio - ele resulta da quebra natural do urânio.
    O Brasil tem a quinta maior reserva natural de urânio do mundo e é responsável por grande extração de diversos minerais para a construção civil. 
    O radônio que sai do solo entra em construções por tubulações, fendas e rachaduras, se acumula e atinge concentrações que podem ser danosas à saúde, sendo maior em casas, pavimentos térreos e em andares inferiores dos edifícios. 
    O radônio é imperceptível: não tem cor, cheiro ou sabor.
    No Brasil, a regulamentação e a legislação atualmente só abrangem os trabalhadores que lidam diretamente com grandes concentrações do gás como na mineração, por exemplo, porém não se verifica maiores informações referente às concentrações de Radônio no interior das construções.