Prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pele e melanoma

Prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pele e melanoma

O que está sendo feito no âmbito científico, ambiental, e no que se refere a políticas públicas, campanhas de prevenção e protocolos de tratamento quando falamos de melanoma, tipo de câncer de pele recorrente no Brasil e bastante relacionado à exposição solar?

De forma multidisciplinar, pacientes e representantes de sociedades médicas e dos setores públicos debateram este cenário durante a Reunião Estratégica sobre Câncer de Pele e Melanoma. Uma iniciativa do Instituto Lado a Lado, o evento aconteceu no dia 23 de junho e procurou dar voz a todos os envolvidos na prevenção e tratamento da doença.

"Quando detectado tardiamente, 80% dos casos de melanoma evoluem para morte", informou a patologista, Mirian Nacagami Sotto na palestra que abordou o papel do patologista no diagnóstico.

No total, três principais painéis reuniram as discussões: um dedicado aos desafios do tratamento do câncer de pele e melanoma, acesso e novas tecnologias; um sobre as implicações da mudança do clima no planeta e o aumento do câncer de pele e melanoma; e um importante espaço para pacientes em tratamento relatarem seus casos e ser abordada a relevância da medicina personalizada. Confira o programa completo, aqui .

Todas as palestras puderam ser acompanhadas em tempo real pelos internautas, por meio de transmissões ao vivo na fan page do Instituto. Acesse os vídeos . Também durante a reunião, foi lançado um guia de conscientização de câncer de pele e melanoma, disponível em nosso site para download.

Diagnóstico tardio

Para os especialistas que participaram da Reunião, o alto índice de óbitos está ligado ao diagnóstico tardio. O atraso no diagnóstico passa pela negligência não só dos pacientes, mas também dos médicos.

A consulta ao especialista, que normalmente tem motivações estéticas, deve ser feita pelo menos uma vez por ano e, para pacientes com histórico familiar de melanoma, a cada 6 meses.

Além disso, deve-se evitar a avaliação 'rápida' e superficial. "O paciente tem que exigir sempre um exame completo, do corpo todo", orienta a dermatologista Paula Sanchez.

Pacientes compartilham experiências

As "consultas rápidas" ao dermatologista quase custaram a vida do irmão de Carla Mazzuco, convidada pelo Instituto para participar do evento e compartilhar a sua história. "Fui eu quem descobriu a pinta nele", contou a enfermeira. Ao notar os aspectos indicativos de melanoma na pinta - o famoso ABCD, assimetria, borda irregular, cores diferentes e diâmetro -, Carla orientou o irmão a procurar um especialista, que então confirmou o diagnóstico de melanoma.

Casos como este são muito comuns, por isso os especialistas alertam para a importância de acompanhar a evolução de pintas ou manchas no corpo. "Existem três tipos de pintas basicamente. Os nevos comuns, que são aquelas pintinhas regulares, de cor uniforme, que não apresentam risco para o paciente. Os nevos atípicos, pintas que chamam atenção, que são mais 'feias' e o melanoma", explicou o dermatologista e presidente do Grupo Brasileiro de Melanoma, Elimar Elias Gomes.

No caso do melanoma avançado, a detecção pode ser feita por avaliação clínica. Já as pintas atípicas devem ser monitoradas com a dermatoscopia, exame que mapeia todos os nevos do corpo.

"Quem tem essas 'pintas feias' tem um risco relativo muito maior de ter melanoma. Essas pessoas devem ser monitoradas de forma mais efetiva", enfatiza o dermatologista. Ele explica que este acompanhamento é eficiente para detectar eventuais mudanças, sem que haja necessidade de extrair toda e qualquer pinta que o paciente apresentar.

Mudanças climáticas e exposição ao sol

A exposição aos raios UV é a principal causa do câncer de pele. Ainda assim, estudos são inconclusivos ao relacionar as mudanças climáticas com o aumento dos casos da doença. "O que se sabe é que a cada aumento de 1°C na temperatura, aumenta o risco em 5% do potencial carcinogênico dos raios UV", informou a pesquisadora científica do Hospital das Clínicas, Mariana Matera Veras.

Além deste dado, a pesquisadora explicou que o aumento da temperatura no planeta - estima-se que a cada ano a média global aumente 1° - também acarretou mudanças comportamentais que aumentaram a exposição das pessoas ao sol. "Para fugir do calor, é comum as pessoas procurarem lugares abertos onde acabam ficando mais tempo expostas aos raios UV".

A prevenção no campo

Um estudo divulgado pela revista científica Journal of the European Academy Of Dermatology and Venereology mostrou que pessoas que trabalham expostas ao sol têm três vezes mais chances de desenvolver câncer de pele do tipo não melanoma. Este dado preocupante diz respeito, principalmente, aos trabalhadores rurais. Quem falou sobre o assunto foi a psicopedagoga e coordenadora do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Demiluce Lopes.

Para estes trabalhadores, a realidade é outra. "Eles estão de segunda a segunda, 12 horas por dia, geralmente expostos ao sol. Essa é a realidade do campo". A psicopedagoga acredita que a solução está na educação direcionada. "São 3 milhões de agricultores, da agricultura de subsistência, sem fiscalização, sem informação, muitos deles analfabetos". Para ela, a informação deve sair 'das paredes da universidade' para se tornar acessível a essa população.

Tratamentos

As diferentes opções de tratamento devem ser avaliadas pelo médico com o paciente. "No caso da quimioterapia, a sobrevida mediana é de 6 meses a 1 ano. As terapias-alvo e a imuno-oncologia são as que apresentam melhor resultado", avisa a médica Oncologista Carolina Kawamura.

Ela explica que a imuno-oncologia é eficaz em até 60% dos casos e a terapia-alvo aumenta em três anos a sobrevida dos pacientes.