Pacientes relatam desafios em suas jornadas

Pacientes relatam desafios em suas jornadas

As pacientes que participaram do workshop do Instituto Lado a Lado relataram as dificuldades que enfrentaram para ter o diagnóstico, reforçando o que os especialistas informaram dos obstáculos que as mulheres encontram para descobrir a doença, e ressaltando a importância de se ter um olhar atento a esse fator.

Nanci Venturini descobriu um câncer de ovário há 5 anos. Tinha inchaço abdominal, sangramento excessivo, dor abdominal, emagrecia e engordava, sofria com desarranjo intestinal. "Eu relatava que não tinha engravidado nem tomado anticoncepcional, me davam medicamento para reduzir o fluxo", conta, chamando atenção para o fato de mesmo explicando situações que a colocavam como fator de risco para o câncer de ovário, não ter um olhar do seu ginecologista para a doença.

Sem resultado, buscou um gastroenterologista, que lhe diagnosticou e tratou como síndrome do intestino irritável. Apenas dois anos depois, em uma situação de emergência, quando a barriga começou a inchar a ponto de ela ter dificuldade de respirar, que foi receber seu diagnóstico. Fizeram diversos exames no pronto atendimento até descobrir a doença. "Um gastro que fez minha videolaparoscopia investigativa".

Foi detectado câncer de ovário em estágio avançado e queriam fazer uma cirurgia no local. Nanci preferiu procurar atendimento especializado e foi ao Hospital A.C. Camargo, onde fez acompanhamento com ginecologista oncológico.

Ela ficou livre do câncer por três anos e meio, acompanhando com CA 125, que não detectou a recidiva. Seu oncologista era contra ela fazer exame de imagem, mas Nanci explica que sua sorte foi que fez acompanhamento também com o cirurgião, que pediu o exame de imagem que diagnosticou a recidiva. Ela passou por novo tratamento e está em remissão há um ano.

"Criei um grupo sobre o tema e hoje somos mais de 1 mil mulheres. Apesar da informação de que essa doença atinge especialmente mulheres mais velhas, a maioria do grupo tem em média 30 anos. Nossa mascote foi diagnosticada com 14 anos".

Um dos exemplos de caso precoce é de Amanda Cabral Benites, que descobriu o câncer de ovário aos 21 anos. Ela fazia acompanhamento regular com ginecologista. O ultrassom pélvico descobriu uma massa de cerca de 11 centímetros. Foi retirada na cirurgia e o exame apontou tumor borderline. O médico indicou que ela estava bem, mas Amanda quis procurar um oncologista e descobriu que era um tumor borderline com implante carcinoma.

Amanda fez tratamento e está em remissão desde junho de 2014. Ela faz questão de deixar seu alerta: "Escutamos falar de mulheres no pós-menopausa. O que temos hoje para diagnosticar mulheres de 30 anos, que não estão no grupo de risco? Precisamos pensar como sensibilizar mais jovens".

Andréa Maria Soares Almeida Lira sentiu uma dor forte que começou do nada e em pouco tempo aumentou bastante. Foi assim que descobriu um tumor de células claras, bastante agressivo, com 8 centímetros de diâmetro. Terminou a quimioterapia em dezembro e agora faz acompanhamento. "Eu tinha cólicas, achava normal; doía um pouco, achava que era porque tive cisto hemorrágico. O tumor de ovário não é muito divulgado", lamenta.