Os principais desafios no rastreamento

Os principais desafios no rastreamento

Abordando o tema rastreamento do câncer de pulmão no II Workshop Instituto Lado a Lado pela Vida Câncer de Pulmão, o médico pneumologista José Pereira Rodrigues chama atenção para a comparação de resultados entre raio X do tórax e a tomografia. Ele aponta que estudos feitos de rastreamento com tomografia demonstraram diminuição do risco de mortalidade.

Entretanto, o médico lembra que é preciso sempre considerar a custo-efetividade para implementar. "Seria interessante para um programa de rastreamento em qualquer lugar do mundo que os preços praticados da tomografia fossem menores que os atuais", diz. "Na avaliação de diversos estudos conclui-se que não se deve implementar programa de rastreamento sem que uma análise de custo efetividade seja feita de acordo com a realidade de cada lugar".

Outro ponto de análise é o intervalo entre uma tomografia e outra. O médico lembra que nos Estados Unidos são realizadas anualmente. "Há vários outros estudos com pacientes negativos no primeiro exame demonstrando que se pode fazer a cada 2 anos". Ele considera que essa ação melhoraria também o custo total da implementação. "O acompanhamento bienal trouxe taxa de detecção um pouco menor, interessante num contexto macro". Já um intervalo maior do que dois anos, segundo levantamentos, seria contraindicado.

Para o especialista, um dos riscos de não se definir bem a periodicidade é ocorrer overdiagnosis, com diagnósticos de câncer de pulmão que não trazem impacto para o paciente, seja por idade avançada ou outras comorbidades.

Um fator que necessita de aprimoramento, segundo José Pereira, é maior conscientização da classe médica. "O raio X se mostrou ineficaz e mesmo assim há pedidos de médicos com intuito de rastreamento. Houve também aumento do número de tomografias para faixa etária que a gente considera que está fora", diz. "Quando falamos em implementação de programas, há muitos pontos a serem considerados".

José Pereira ressalta que é contraindicado o rastreamento de tomografia com carga convencional - precisa ser com baixa carga, especialmente considerando que em um programa de rastreamento os pacientes serão submetidos a diversas tomografias. Ele cita ainda pontos essenciais: treinamento de radiologistas pelo protocolo internacional, equipe multidisciplinar e integração com programa de cessação do tabaco.

Os desafios de custos envolvem não apenas o setor público, mas também o privado, como lembra Riad Younes, diretor Geral do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. "No dia a dia, é difícil até pedir exame não só no SUS, mas até do convênio. Quanta coisa a gente tem que mudar para modificar os impactos do câncer de pulmão".