O cenário no Brasil e no mundo do câncer que mais mata e os novos tratamentos

O cenário no Brasil e no mundo do câncer que mais mata e os novos tratamentos

Comentando o cenário do câncer de pulmão no Brasil e no Mundo durante o II Workshop Instituto Lado a Lado pela Vida Câncer de Pulmão, Marcelo Cruz, oncologista clínico brasileiro atualmente trabalhando na Northwestern University, em Chicago- EUA, fez seu alerta: "o câncer de pulmão mata mais que os cânceres de colo retal, mama e próstata juntos. E os casos de morte por câncer de pulmão entre não-tabagistas superam as mortes por câncer de pâncreas, colo de útero e próstata".

O moderador do evento explicou que o câncer de pulmão é o que mais mata - anualmente há cerca de 1 milhão e 800 mil novos casos, e 1 milhão e 500 mil mortes. Conforme o oncologista, a maioria morre em menos de um ano; e 17% em 5 anos. "Entre os que descobrem no estadio 4, apenas 3 a 4% têm sobrevida de 5 anos". Para o médico, a dificuldade em ter um panorama brasileiro se dá porque os dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) são falhos, pois são subnotificados.

Marcelo Cruz informou ainda que de cada 10 pacientes, apenas 2 tem diagnóstico precoce - e a maioria de forma incidental. "O paciente está com pneumonia, por exemplo, e descobre o câncer por acaso fazendo exames. Ou vai no cardiologista que pede raio X de tórax e descobre o câncer".

Ele apresentou estudos mostrando o aumento da doença em não tabagistas. "Um estudo da década de 1990 mostrava que essa incidência era de 9 a 10%. Em 2011 a 2013, 20% dos casos de câncer de pulmão eram sem relação com o tabagismo". Entre os outros fatores ele cita os asbestos, radônio e poluição ambiental.

"Começamos a ver muitos casos de jovens não-tabagistas com câncer de pulmão dos consultórios. O principal fator de risco para câncer de pulmão em não-tabagistas é a exposição, por vários anos, ao gás radônio. Muitos médicos desconhecem esta informação".

Marcelo considera que falta acesso à informação, a exames, a testes moleculares, a centros de referência, cirurgia, radioterapia e a novos medicamentos.

Novos tratamentos, novos desafios

Os ganhos expressivos da medicina personalizada para pacientes que são diagnosticados com câncer de pulmão avançado, estadio 4, foram destacados pelo oncologista Marcelo Cruz. Ele explicou que até o ano 2000 só se tinha conhecimento de dois tipos de câncer de pulmão: de pequenas células e não pequenas células - este último com 80 a 90% dos casos.

"Para esse tipo de não pequenas células e com a doença avançada até 10, 12 anos atrás o único tratamento era com quimioterapia. A chance de resposta de reduzir o tumor era de 20% e a sobrevida mediana fica próxima a 8 meses", informa. "Esse ainda é o tratamento padrão no SUS".

A mudança ocorreu com o entendimento de subtipos de câncer de pulmão e as mutações que levam as células do câncer a se desenvolver e se espalhar. Surgiram então remédios que podem combater as células com mutações que dirigem o tumor, a terapia alvo ou medicina personalizada.

Marcelo Cruz diz ainda que outra novidade que veio para mudar o tratamento é a imunoterapia. "Até hoje tenta-se combater a célula do câncer com quimioterapia ou, no caso do câncer com mutação, usando terapia alvo. A imunoterapia faz algo a mais: fortalece o sistema imunológico para atacar o câncer. Não está mais atacando o câncer diretamente, mas estimula células de defesa para atacar o câncer".