"Nós não vamos parar"

"Nós não vamos parar"

O Instituto Lado a Lado pela Vida promoveu nesta quinta-feira, dia 28/6, um contundente debate no seminário A Nova Cara do Câncer - Medicina Personalizada, na Assembleia Legislativa do Estado, em São Paulo.

Logo na abertura do evento a presidente do Instituto, Marlene Oliveira, perguntou se a chamada medicina personalizada, conceito com o qual a instituição já trabalha há algum tempo, é para todos ou somente uma minoria.

Para ela, o câncer está se tornando uma doença crônica, com a qual é possível se viver cada vez mais e com qualidade de vida. "É a nova cara do câncer", vaticinou Marlene, para quem é preciso trabalhar pelo acesso do maior número possível de pacientes às novas técnicas que o tratamento de precisão aporta na luta contra a doença que segundo a Organização Mundial da Saúde será a primeira causa de mortes no Brasil.

A nova cara do câncer apareceu várias vezes no debate dos oncologistas Marcelo Cruz, pesquisador da Divisão de Hematologia e Oncologia da Northwestern University, em Chicago (EUA); João Pedreira Duprat Neto, Doutor em Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Fernando Costa Santini, titular do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês e do Instituto do Câncer do Estado; Pedro Aguiar Jr, Mestre em Oncologia pela Universidade Federal de São Paulo; e a patologista Katia Ramos Leite, professora da Faculdade de Medicina da USP e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia.

Cada um deles abordou, a partir de diferentes enfoques, as mutações genéticas e metastáticas do câncer, o que leva a comunidade médica a manter a dedicação na pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas de tratamento e rastreamento do câncer. Como expressou o Dr. Marcelo Cruz, "nós não vamos parar".

Antes do debate ele fez uma apresentação da medicina personalizada, ou de precisão, que baseia o tratamento no histórico genético do paciente, o que facilita ao médico receitar o medicamento mais apropriado para cada caso. Segundo Cruz, as novas técnicas são uma evolução para o que chama justamente de medicina de imprecisão, que até hoje ainda se pratica em muitos países, inclusive no Brasil, "na base da tentativa, erro".

"A medicina personalizada é mais do que tratamentos customizados e medicamentos - disse o oncologista -. Ela é sobre decisões também", arrematou, referindo-se a políticas públicas por parte do Estado, e novos hábitos de vida e medidas de prevenção na sociedade.

"É aí que entra o nosso trabalho", concluiu Marlene no fechamento do seminário. "O esforço das instituições que se dedicam à multiplicação de informações sobre saúde, prevenção de doenças, diagnóstico precoce e as alternativas de tratamentos, como fazemos no Lado a Lado pela Vida". Para a presidente do LAL, a tarefa "não é fácil, mas é possível".