Fatores de risco modificáveis são responsáveis por um terço das mortes no mundo

Fatores de risco modificáveis são responsáveis por um terço das mortes no mundo

No Brasil, de cada três pessoas, uma terá um infarto ou AVC. O cenário alarmante das doenças cardiovasculares está sendo discutido hoje no 2º Fórum sobre as Doenças Cardiovasculares no Brasil realizado pelo Instituto Lado a Lado Pela Vida no auditório da Interlegis, em Brasília.

"Os anos passam e a lição de casa nunca é feita. A incidência das doenças coronárias vem aumentando no país. Por isso estamos aqui", afirmou o cardiologista e diretor clínico do Hospital Oswaldo Cruz, Marcelo Sampaio, na abertura do evento.

Um terço de todas as mortes do mundo pode ser atribuído a poucos fatores de risco - hipertensão, tabagismo, sedentarismo, dislipidemia e obesidade. Esses fatores estão essencialmente ligados a comportamentos e hábitos de vida. Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, destacou a importância de um trabalho de conscientização e ações focadas na educação mudança de hábitos. O Instituto realiza, desde 2014, a campanha Siga Seu Coração , que alerta a população sobre os fatores de risco das doenças cardiovasculares. Em 2016, foram mais de 72 milhões de pessoas impactadas.

Segundo o cardiologista Marcelo Sampaio, campanhas como essa ajudam a traduzir a linguagem médica para a população e a levar uma informação que muitas vezes falta no consultório. "Uma consulta hoje é muito rápida. O médico fica satisfeito quando o paciente sai com uma prescrição para um medicamento. Mas onde está a orientação sobre a dieta, sobre hábitos saudáveis?", questionou para o público durante a apresentação. "Só vamos mudar estes índices de mortalidade quando houver uma grande mobilização da sociedade", completou.

Para Marlene, o Fórum é fundamental para traçar os principais pontos que devem ser trabalhados em conjunto - sociedade, governo e profissionais da saúde - para a melhoria das políticas públicas das doenças cardiovasculares. "É uma oportunidade de construir uma agenda propositiva voltada para a prevenção, tratamento e controle das doenças cardiovasculares. Não é fácil, mas é possível mudar este cenário", declarou.

O deputado federal Odorico Monteiro também foi convidado para participar da mesa de abertura. Ele elogiou a iniciativa do Instituto Lado a Lado e reforçou a importância da articulação do sistema de saúde, envolvendo a família, pacientes e profissionais de saúde. "A expectativa de vida nunca foi tão grande. Vivemos a era da informação, do empoderamento do paciente. Os níveis de atendimentos não estão mais centrados no profissional. Vivemos a era do autocuidado", concluiu.