"É preciso intensificar as campanhas com foco em prevenção das doenças cardiovasculares"

"É preciso intensificar as campanhas com foco em prevenção das doenças cardiovasculares"

O Instituto Lado a Lado Pela Vida reuniu, nesta segunda-feira (12), especialistas e representantes do poder público em uma audiência pública para discutir a situação do paciente de alto risco cardiovascular tendo como foco o colesterol, um dos fatores de risco evitáveis mais graves.

A audiência aconteceu na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados e contou com a presença do deputado Alexandre Serfiotis, dos cardiologistas Marcelo Sampaio e Andrei Sposito, da presidente do Instituto Marlene Oliveira e da paciente e enfermeira Juliana Souza.

Na reunião, foram discutidas formas de reduzir a mortalidade por doenças cardiovasculares - que são, hoje, a principal causa de morte no Brasil e no mundo - e as responsabilidades de cada um neste cenário: pacientes, profissionais da saúde e poder público.

O deputado Alexandre Serfiotis destacou o impacto das doenças cardiovasculares no orçamento da saúde, que representa 8% de todo o gasto, um custo que ultrapassa 30 bilhões ao ano. Para ele, é preciso criar políticas públicas sobre o tema, gerenciar os investimentos de forma mais eficiente e intensificar as campanhas com foco em prevenção. "Não há dúvidas que o custo da prevenção é bem menor do que o tratamento do paciente de alta complexidade", declarou.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 40% da população adulta e 20% dos jovens brasileiros têm níveis de colesterol elevado. Para Marlene Oliveira, a diminuição destes números passa pela mudança de hábitos e educação em saúde, um dos pilares do Instituto. "As doenças autoadquiridas - como obesidade, diabetes, hipertensão e colesterol - são as causas evitáveis que mais pesam nos números das doenças cardiovasculares".

Além da educação e prevenção, é preciso melhorar a assistência ao paciente de alto risco "Sem acesso a novas terapias muitos destes pacientes permanecem vulneráveis às taxas excessivas de morbidade e mortalidade", explica Marlene. O objetivo da audiência, segunda ela, é propor ações fundamentais para o diagnóstico precoce, ampliar o acesso a medicamentos e novas tecnologias, intensificar as campanhas de conscientização, criar Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a Hipercolesterolemia Familiar (HF) e criar um centro de referência para o tratamento do colesterol.

A falta de investimentos em prevenção não é o único problema, segundo o cardiologista e professor da Unicamp Andrei Sposito, quase 30% dos indivíduos com indicação não têm sido tratados. "O colesterol não causa sintomas. Colesterol alto mata. Se a gente não dosa, a gente não sabe. A única maneira de reduzir a carga de morte por colesterol é dosando e tratando."

Ele explica que os cuidados com a doença, que envolvem hábitos de vida como alimentação e atividades físicas, devem começar ainda na gestação e se estender durante toda a vida. "O tempo que a criança assiste televisão, por exemplo, tem relação com risco de obesidade e doença cardiovascular. A prevenção adequada e o diagnóstico precoce são fundamentais".

O cardiologista Marcelo Sampaio reforçou a responsabilidade de cada um neste panorama e afirmou que uma redução de 20% dos pacientes com colesterol alto corresponde a uma diminuição de 30% da mortalidade. Para ele, falta informação para os pacientes, mudança na formação dos profissionais e melhor gestão dos recursos por parte do poder público. São esses os pilares para se desenvolver uma cultura preventiva, ele defende.

A enfermeira Juliana Souza, convidada para compartilhar sua história na audiência, é exemplo de como a falta de informação pode comprometer a saúde e qualidade de vida. Vítima de uma isquemia cerebral aos 14 anos, Juliana foi diagnosticada com diabetes e teve que aprender, ainda na adolescência, a adequar seu estilo de vida. A doença fez com que ela dedicasse sua vida a outros pacientes que também sofrem com o problema. "É importante saber que a prevenção pode ser difícil, mas lidar com as sequelas de um AVC ou um infarto é muito mais", contou.

É possível conferir a audiência na íntegra aqui além de fotos do evento no Flickr do Instituto Lado a Lado.