Cuidados com medicamentos influenciam na cura da doença

Cuidados com medicamentos influenciam na cura da doença

Muitas pessoas não imaginam a influência que o uso correto do medicamento tem durante todo o tratamento até a cura da doença: tomar a medicação do jeito e nos horários indicados pelo médico, armazenar corretamente. "Tudo faz diferença", avisa Ricardo Garcia, médico e pesquisador do ClapBio - Centro Latino Americano de Pesquisa em Biológicos.

Os primeiros cuidados começam na consulta. Dr. Ricardo Garcia avisa que o médico precisa saber tudo sobre a condição de saúde do paciente - e o paciente deve buscar o máximo de esclarecimentos.

"É preciso tirar todas as dúvidas, não deixar nenhuma pergunta sem fazer. Não ter vergonha de perguntar. A comunicação com o médico é essencial para que o tratamento funcione", alerta Ricardo, lembrando que estabelecer essa relação de confiança é importante.

Depois dessa fase da consulta, vem a terapia medicamentosa - o médico vai indicar os medicamentos que devem ser tomados. Também nesse momento é preciso tirar todas as dúvidas: saber quando tomar o remédio, como tomar, quando parar, se será preciso tomar a vida toda.

Respeitar o horário

Um dos aspectos importantes que exige atenção é o horário que o medicamento deve ser administrado. Ricardo lembra que alguns precisam ser tomados em jejum, por exemplo. Usar na hora errada pode trazer consequências.

O médico cita como exemplo medicamentos para gastrite com inibidores da bomba de próton. "Tem que tomar cerca de 30 a 40 minutos antes do café da manhã, em jejum. A absorção precisa ser antes, caso contrário não terá o efeito que se espera, o efeito será diminuído".

Nos casos de antibiótico, que tem meia vida, é preciso respeitar quando deve ser tomado de 6 em 6 horas, de 8 em 8 horas ou 12 em 12 horas, pois essa determinação leva em conta o tempo que o medicamento fica circulando no organismo. "Se perder o horário, compromete a terapia e o efeito não será o mesmo, pois ele tem o ciclo que começa diminuindo a atividade da bactéria, a reprodução até que, por fim, mata a bactéria".

Duração do tratamento

O paciente precisa sair do consultório médico com uma previsão da duração do tratamento. Se é crônico, precisa ter consciência de que será para o resto da vida.

Dr. Ricardo Garcia explica que esses detalhes, como informar-se sobre o retorno ao médico, são fundamentais.

"Não é incomum o paciente ter uma doença crônica, como problemas com a pressão arterial, por exemplo, e pelo fato da pressão baixar ele achar que ficou bom. Baixou porque tomou remédio. Se parar vai subir de novo", destaca o médico. "Por isso é preciso saber por quanto tempo precisará tomar o medicamento".

Armazenamento e transporte

Um aspecto importante e que muitas vezes não é devidamente questionado na consulta é sobre como armazenar - e também transportar - o medicamento.

Há casos, por exemplo, em que o medicamento precisa ficar em um local mais frio. "Se o medicamento precisa estar armazenado em um lugar mais fresco, esse cuidado deve ser tomado também no transporte. Se a pessoa tira da geladeira em casa, fica duas horas no trânsito com um calor e chega no trabalho coloca na geladeira, essa ação vai alterar o medicamento".

Detalhes essenciais

A forma de administração do medicamento também deve estar bastante clara para o paciente - se é oral, intramuscular, subcutânea, autoinjetável... É preciso saber ainda se o remédio deve ser ingerido com a comida, antes da alimentação ou depois.

A segurança medicamentosa do paciente depende desses cuidados que seguem durante todo o clico, desde a consulta e durante todo o tratamento.

"Por fim, é preciso saber quando será necessário voltar ao médico para reavaliar a medicação", informa Dr. Ricardo Garcia.

Consequências

O médico explica que uma das principais consequências da má administração do medicamento ou falhas durante o tratamento é a terapia falhar, não funcionar. "A pessoa vai continuar doente ou pode até piorar".

Ele explica que dependendo do tipo de falha, pode ter diferentes consequências. Como exemplo cita um medicamento que precise de um local frio de armazenamento - se ficar exposto ao calor, as moléculas não funcionarão como deveriam e isso diminui a eficácia.

Além da falha no resultado da terapia, podem ocorrer efeitos adversos que não estavam previstos. "O processo de terapia existe por um motivo. Se muda o processo, está correndo mais riscos. Se existe alguma falha, aumenta o risco de ter efeito adverso ou falha na terapia", conclui.

Fórum Segurança Medicamentosa em Brasília

A segurança medicamentosa do paciente em tratamento das doenças crônicas é um dos temas trabalhados pelo Instituto Lado a Lado pela Vida em Advocacy. Esse assunto será discutido no dia 29 de novembro de 2016, no I Fórum Segurança Medicamentosa do Paciente : Um novo olhar sobre a Farmacovigilância, em Brasília. A ação é realizada pelo Instituto Lado a Lado em parceria estratégica com a CLAPBIO - Centro Latino Americano de Pesquisas em Biológicos.

O Fórum tem o apoio da Universidade de Brasília - Faculdade de Ciências da Saúde (UNB / FS) - Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), Associação Brasileira das Ligas Acadêmicas de Medicina (ABLAM), Academia Nacional de Farmácia e Conselho Regional de Farmácia do DF. No evento estarão presentes profissionais da saúde, parlamentares, representantes do Ministério da Saúde, pacientes, associações de pacientes, agências regulatórias, entre outros convidados.

Serviço:

I Fórum Segurança Medicamentosa do Paciente
Data: 29 de novembro de 2016, das 8h às 17h
Local: Auditório 3 - Faculdade de Ciências da Saúde / Universidade de Brasília / Campus Darcy Ribeiro (ASA Norte, Brasília - DF)
Inscrições: http://bit.ly/ForumSegurançaMedicamentosa