Consultas 'rápidas' ao dermatologista podem negligenciar sinais do câncer de pele

Consultas 'rápidas' ao dermatologista podem negligenciar sinais do câncer de pele

Se você pensa que consultas ao dermatologista são sempre por razões estéticas, pode estar colocando sua saúde em risco. Quem faz o alerta é a dermatologista Paula Sanchez, que participou da Reunião Estratégia sobre Câncer de Pele e Melanoma, realizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida. "Exames dermatológicos precisam ser rotina mesmo sem antecedentes de câncer de pele na família".

A consulta ao especialista deve ser feita pelo menos uma vez por ano e para pacientes com histórico familiar de melanoma, a cada 6 meses. É importante que nessas visitas o médico faça uma avaliação detalhada. Consultas 'rápidas' e superficiais, com caráter essencialmente estético, podem negligenciar os primeiros sinais da doença. "O paciente tem que exigir sempre um exame completo, do corpo todo", orienta a médica.

As 'consultas rápidas' ao dermatologista quase custaram a vida do irmão de Carla Mazzuco, convidada pelo Instituto para participar do evento e compartilhar a sua história. "Fui eu quem descobri a pinta nele", contou a enfermeira. Ao notar os aspectos indicativos de melanoma na pinta - o famoso ABCD, assimetria, borda irregular, cores diferentes e diâmetro -, Carla orientou o irmão a procurar um especialista, que então

confirmou o diagnóstico de melanoma.

"Quando a gente faz diagnóstico precoce, a chance de cura é bem mais alta porque pegamos (o melanoma) numa fase inicial, onde ele ainda não conseguiu invadir", explica. Os órgãos comumente afetados por melanoma maligno metastático são os pulmões, cérebro e fígado.

Mitos e verdades sobre o câncer de pele

Na palestra, Paula esclareceu alguns mitos sobre a doença. Um deles é a sua relação com a luz artificial. "A luz artificial não dá câncer de pele, ela tem relação com o envelhecimento da pele e com as manchas", explicou.

Nem tão inofensivo como este é o mito de que no inverno não precisamos passar filtro solar. Apesar de não sentirmos, os raios ultravioletas causam na nossa pele os mesmos danos do verão. Por isso a importância de se proteger sempre. Ela ainda reforçou a necessidade de criar esse hábito na infância, já que o risco relativo de desenvolver o câncer é maior em pessoas que tiveram uma exposição crônica ao longo da vida.

A dermatologista confirmou o que muito se ouve sobre pessoas de pele clara serem mais propensas a desenvolver a doença. Isso acontece por apresentarem menos melanina, pigmento que protege contra os raios UV.