Colesterol alto é inimigo número um do coração, aponta Fórum

Colesterol alto é inimigo número um do coração, aponta Fórum

As discussões do 2º Fórum sobre Doenças Cardiovasculares no Brasil foram unânimes em apontar o colesterol elevado como fator número um para as doenças do coração. Segundo Raul Dias, cardiologista e diretor científico da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o diagnóstico e o controle da doença poderiam reduzir as taxas de mortalidade, no entanto, menos de 9% dos pacientes de alto risco têm os níveis de colesterol controlados.

"Para cada 40mg que diminuo no colesterol de um paciente, reduzo o risco de morte por problema cardiovascular em 21%", conta Dr. Raul. Ele explica que um dos problemas no tratamento da doença é o diagnóstico tardio. "70% dos dislipidêmicos tiveram o diagnóstico da doença só após os 40 anos". A situação é ainda pior na detecção da hipercolesterolemia familiar, colesterol alto de origem genética que afeta um em cada 200 na população. No Brasil, cerca de 400 mil pessoas são portadores sem ter conhecimento.

O cardiologista defende que a educação sobre os fatores de risco deve começar na infância. O médico nutrólogo da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia) Dimitri Homar também reforçou o alerta. Segundo dados de pesquisa apresentada, a estimativa é de que em 15 anos 21% das crianças do mundo serão obesas. "A educação deve começar durante a gravidez, depois com a amamentação e durante toda a vida com a redução de consumo de produtos com alta carga energética. Quando os alimentos saudáveis são introduzidos na infância há uma chance muito maior da criança não se tornar um adulto obeso", explicou.

De acordo com o nutrólogo, a obesidade está relacionada a mais de 30 patologias, entre elas problemas cardiovasculares como hipertensão, infarto e aterosclerose. Segundo pesquisa do IBGE, quase 60% da população brasileira está acima do peso. "Estes dados traduzem urgência na necessidade de pensar em políticas públicas para a prevenção e tratamento da obesidade", afirmou Dr. Homar.

Foi esse alerta precoce que faltou na vida da enfermeira Juliana Souza, paciente de diabetes há 22 anos. O diagnóstico de sua condição crônica veio após uma isquemia cerebral, aos 14 anos, que deixou sequelas. Ainda na adolescência, Juliana teve que encarar a reabilitação a adequar seus hábitos. A doença fez com que ela dedicasse sua vida a outros pacientes que também sofrem com o problema. "Comecei a descobrir e estudar, incorporar a informação na minha vida e passar para frente. Empoderar o paciente é mostrar para ele que, por mais difícil que pareça, ele pode reverter seu quadro".

A orientação precoce e acompanhamento contínuo é o que norteia a atuação dos agentes de saúde. O médico Flávio Luiz Alves de Noronha, ex-diretor de Atenção à Saúde do Recando das Emas, no Distrito Federal, foi convidado para falar sobre o papel destes agentes na prevenção das doenças cardiovasculares no primeiro painel de debate do Fórum.

Segundo Dr. Flávio, o objetivo principal é evitar o adoecimento. "O programa de atenção primária em saúde tem papel-chave na estruturação da rede de cuidado, além de organizar e saber para onde encaminhar o paciente". Essas redes também são fundamentais no acolhimento do paciente e das famílias e na proximidade com a comunidade.

Os resultados refletem a eficácia da ideia. "Praticamente todas as doenças que são sensíveis à atenção primária reduziram numa margem de 30% depois das equipes de saúde da família", concluiu.