Câncer de pulmão: poluição do ar é quase como fumar

Câncer de pulmão: poluição do ar é quase como fumar

A poluição do ar não é somente aquela que vem dos carros e das indústrias. A poluição está presente em diversos componentes no ar, no que a pesquisadora científica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Mariana Matera Veras, explica como sendo fração particulada da poluição. "Nós estudamos o tamanho dessa fração, como entra no corpo, como se distribui e o que ela pode conter que está associado a riscos à saúde".

Segundo Mariana, quando no corpo, a poluição irá afetar o sistema respiratório, entre outros como o cardiovascular e reprodutor . "A gama de doenças atribuídas à poluição aumenta muito. Em relação ao câncer, como é em logo prazo, fica difícil conscientizar as pessoas. Sintomas como irritação nos olhos, por exemplo, logo desaparecem". 

O problema está no acúmulo dessa exposição por 20, 30 anos, o que poderá causar um desfecho mais grave. "É difícil convencer as pessoas de que a poluição do ar é quase a mesma coisa que fumar. Pode não ser tão extremo como o cigarro, mas leva ao mesmo desfecho", defende.

Dados de pesquisa em animais apresentam esses riscos com diferentes tipos de câncer associados à poluição. Em seu trabalho, que foi publicado na Revista Nature, Mariana traz levantamento de índices de poluição em São Paulo e considera estudos mundiais dos níveis de poluição nas cidades, utilizando o material das agências de controle ambiental, comparado com artigos publicados no mundo sobre poluição de ar. Avalia a poluição do ar e a influência na saúde e no desenvolvimento do câncer.

"O câncer de pulmão é o único tipo de câncer que já tem evidencia suficiente para dizer que está associado a esse tipo de exposição. Os outros há uma possível associação, mas ainda sem comprovação", avisa.

Entre os piores tipos de poluição encontrada no ambiente urbano, Mariana chama atenção para o material particulado, que é também formado a partir da queima de combustível fóssil. "Aquela fumaça preta que a gente vê sair de caminhão, especialmente quando está mal regulado. Mas o veículo bem regulado também emite partículas que contêm substâncias que provocam câncer".

Para a pesquisadora, a solução para melhorar a qualidade do ar em São Paulo está relacionada à melhora na mobilidade. "Tivemos melhora, mas a cidade cresce a uma velocidade maior", avalia. "Não podemos pensar uma doença com um único fator causador. O ser humano tem o meio em volta que pode favorecer ou desfavorecer a saúde".