V Fórum Siga seu Coração: adoção de hábitos saudáveis é caminho para reduzir doenças cardiovasculares

V Fórum Siga seu Coração: adoção de hábitos saudáveis é caminho para reduzir doenças cardiovasculares

Evento promovido pelo Instituto Lado a Lado discute a saúde cardiovascular do brasileiro e melhoria do atendimento primário em saúde. Foto: Panóptica Multimídia


 

Redação LAL - As doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte no Brasil e no mundo atualmente. Mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que em 2030 o câncer ultrapassará as DCVs. O V Fórum Siga Seu Coração, promovido pelo Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL), na Interlegis, em Brasília, no dia 24 de setembro, discutiu a saúde do coração dos brasileiros e maneiras para diminuir o número de mortes, promover a saúde e a prevenção dos problemas cardíacos.

Os três painéis de debates, que contaram com a presença de médicos, enfermeiros, nutricionistas, representantes do Ministério da Saúde, de secretarias de saúde e parlamentares, deixaram claro que disseminar informação verídica e de qualidade sobre saúde cardiovascular é um caminho a ser seguido na tentativa de diminuir o número de mortes causadas por problemas cardíacos. "Em 2030, o câncer ultrapassará as doenças cardiovasculares em número de mortes. Teremos, então, duas bombas-relógio e precisamos olhar para esse novo cenário com muita atenção", enfatizou Marlene Oliveira, presidente do LAL em seu discurso de abertura.

A promoção da saúde e a prevenção das doenças cardiovasculares, assim como o diagnóstico precoce, também foram temas destacados nas falas dos palestrantes. Para o cardiologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Fernando Augusto A. da Costa, a prevenção é essencial para que a população envelheça com saúde. "Precisamos investir em prevenção. Os jovens precisam pensar nos netos que vão ter e, os mais velhos, em um envelhecimento saudável", destacou o cardiologista, que foi o moderador do V Fórum.

A edição desse ano trouxe a cardio-oncologia para o centro do debate. Essa subespecialidade da cardiologia presta assistência cardiovascular aos pacientes onco-hematológicos. "Alguns dos medicamentos e terapias usadas no tratamento do câncer causam problemas cardiológicos. As antraciclinas, usadas na quimioterapia de câncer de mama, bexiga e outros, podem causar insuficiência cardíaca, por exemplo. O dano é irreversível e é um efeito dose-dependente, ou seja, quanto mais tempo de uso, maior o risco para desenvolver IC", explicou a cardio-oncologista Marina Bond, acrescentando que são poucos os médicos cardio-oncologistas no Brasil por ser uma especialidade nova. Segundo ela, alguns cardiologistas estudam por conta própria e por trabalharem há muito tempo com pacientes oncológicos acabam sendo cardio-oncologistas na prática.

Fatores de risco

As doenças cardiovasculares e o câncer têm fatores de risco em comum, como a obesidade e o sedentarismo. A adoção de hábitos saudáveis é importante para promover a saúde e prevenir essas e outras doenças. Para Roberta Kuhne, da Coordenação-geral de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis/Ministério da Saúde, é importante que a população saiba o que está consumindo. "O Ministério está empenhado em mudar a legislação para os alimentos, entre eles, dos refrigerantes, que hoje têm muitos incentivos fiscais. Também é preciso reduzir a propaganda de alimentos não saudáveis", colocou Roberta, que é nutricionista.

Segundo o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar de Alimentação e Saúde, Evandro Rogério Roman, promover a saúde é a melhor maneira de prevenir doenças. "Estamos caminhando para uma sociedade doente. Para combater isso, precisamos investir em políticas públicas que incentivem a adoção de hábitos saudáveis. Na Frente Parlamentar, a rotulagem dos alimentos está em discussão. A população precisa saber o que está consumindo. O Congresso não pode se calar diante disso", enfatizou o deputado.

Para o endocrinologista Luciano Ricardo Giacaglia, médico-assistente do Ambulatório de síndrome metabólica do Hospital das Clínicas, precisamos voltar a consumir o que nossos avós e bisavós consumiam como uma forma de combater a obesidade. "Tudo o que tiramos a tampa ou abrimos o pacote não presta. Nossa bisavó já sabia o que era saudável: arroz, feijão, legumes e salada. A dica é alimentação saudável e atividade física", afirmou. O médico clínico do Núcleo de Atenção Domiciliar de Guará (DF), Flavio Luiz Alves de Noronha, pontuou que o sedentarismo precisa ser combatido por todos. "Não adianta o médico dizer que o paciente precisa fazer atividade física e ele próprio não seguir isso. A mudança no estilo de vida é um desafio de todos precisamos abraçar isso, inclusive os profissionais de saúde. Temos que ser um exemplo", destacou o clínico.

Atendimento primário

A atenção primária é essencial para promover a saúde e orientar a população sobre a adoção de hábitos saudáveis e prevenção de doenças. "Uma doença cardiovascular não começa aos 50 ou 60 anos. Ela começa lá atrás através de hábitos não saudáveis. Muitas situações de alta complexidade poderiam ter sido evitadas na atenção primária. O atendimento primário do paciente precisa ser eficiente", disse Douglas Pereira da Cruz Jr, da Coordenação da Atenção Primária do Distrito Federal.

Para a professora associada de enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Elisabete Pimenta Araújo Paz, o objetivo da atenção primária é deixar a pessoa bem. "Nossa preocupação tem sido o controle das questões agudas e crônicas. Evitar complicações é papel da atenção primária. Os profissionais de saúde precisam levar a educação básica em saúde para a população e o atendimento não pode ser massificado. Temos que individualizar o cuidado", colocou a enfermeira, que é coordenadora de práticas avançadas do Cofen.

As discussões do V Fórum Siga seu Coração mostraram que a educação em saúde é algo que precisa ser incentivado no país. Para envelhecer de uma maneira saudável e reduzir a incidência das doenças cardiovasculares e do câncer, políticas públicas eficazes, que incentivem à mudança no estilo de vida de toda a população, precisam ser adotadas. A campanha Siga seu Coração, por meio das redes sociais e de ações, divulga informações de qualidade para que todos tenham conhecimento e capacidade para adotar hábitos saudáveis, que resultem em uma melhor qualidade de vida. Além disso, o LAL realiza um trabalho de advocacy junto aos parlamentares e ao Ministério da Saúde para mudar a saúde do brasileiro. Lado a lado, podemos diminuir as mortes causadas por doenças cardiovasculares e melhorar a saúde dos brasileiros.