UNICEF: apenas 40% das crianças no mundo recebem amamentação exclusiva no início da vida

UNICEF: apenas 40% das crianças no mundo recebem amamentação exclusiva no início da vida

No Brasil, o índice foi estimado em 38,6%; países menos desenvolvidos têm índices acima da média global, alcançando 50,8%


Agência ONU - A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é para que os bebês sejam alimentados exclusivamente com o leite materno nos primeiros seis meses de vida. Mas não é o que vem acontecendo no mundo. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apenas quatro em cada dez bebês no mundo são alimentados exclusivamente com o leite materno nesse período. A estatística foi divulgada na quinta-feira (1º.08), data em que teve início a Semana Mundial de Amamentação.

Segundo o informe, nos países de renda média e alta, 23,9% das crianças são alimentadas somente com o leite da mãe em seu primeiro semestre após o nascimento, o que representa uma queda na comparação com 2012, quando a taxa chegava a 28,7%. No Brasil, o índice foi estimado em 38,6%, de acordo com o UNICEF e a OMS. Porém, o último relatório do país data de 2006, e as estimativas globais dos dois organismos foram atualizadas em julho de 2017.

As pesquisas apontam que a amamentação exclusiva promove o desenvolvimento saudável do cérebro em bebês e crianças pequenas, protege as crianças contra infecções e diminui o risco de obesidade e de outras doenças. A prática também reduz custos de assistência médica no futuro e protege as mães lactantes contra o câncer de ovário e de mama.

Os dados da OMS mostram que, nos países menos desenvolvidos, o índice de amamentação exclusiva no primeiro semestre de vida está acima da média global de cerca de 40%, alcançando os 50,8%. As maiores taxas foram encontradas em Ruanda (86,9%), Burundi (82,3%), Sri Lanka (82%), Ilhas Salomão (76,2%) e Vanuatu (72,6%).

Pesquisas coletadas pelo UNICEF também mostram que bebês em áreas rurais têm mais probabilidade do que os nascidos em zonas urbanas de ter uma dieta composta exclusivamente por leite materno no início da vida.

Até 2025, o objetivo da OMS quer garantir que pelo menos metade de todas as crianças no mundo sejam alimentadas exclusivamente com leite materno durante os seus seis primeiros meses de vida.

Pesquisa publicada em 2016 no periódico The Lancet apontou que a universalização do aleitamento exclusivo - ou seja, ter todas as crianças do mundo se alimentando somente com o leite materno no início da vida - poderia prevenir 823 mil mortes por ano entre meninos e meninas com menos de cinco anos de idade, além de evitar 20 mil mortes por câncer de mama anualmente. Outro estudo da mesma publicação científica estima que, todos os anos, os países perdem 302 bilhões de dólares por causa de prejuízos cognitivos associados às lacunas no aleitamento exclusivo. O valor representa as perdas econômicas na comparação com um cenário onde a amamentação exclusiva seria universal.

Para o UNICEF, há lacunas nas políticas trabalhistas capazes de estimular o aleitamento exclusivo. Dados da ONU e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que apenas 12% dos países oferecem uma licença-maternidade remunerada e adequada. A recomendação do UNICEF é que as mulheres tenham pelo menos seis meses de licença remunerada combinada - que pode ser dividida entre os responsáveis pela criança. Mas 18 semanas devem ser reservadas para as mães.

Além disso, as empresas não dão apoio suficiente para que as funcionárias continuem a amamentar. No mundo, apenas 40% das mulheres com recém-nascidos têm os benefícios mais básicos associados à maternidade em seu local de trabalho. O órgão da ONU também recomenda que as empresas ofereçam um ambiente propício e instalações adequadas para a amamentação.