Tratamento que promete revolucionar o combate do câncer vence Nobel de Medicina

Tratamento que promete revolucionar o combate do câncer vence Nobel de Medicina

O Prêmio Nobel de Medicina de 2018 foi anunciado na última segunda-feira (01) para o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo pelas descobertas ligadas ao combate do câncer. Trata-se da imunoterapia, tratamento que vem se destacando não só pela efetividade na sobrevida e cura dos pacientes, como na diminuição dos efeitos colaterais.

Convidamos a oncologista do Hospital MD Anderson (em Houston, Texas) e membro do comitê científico do Instituto Lado a Lado Pela Vida, Graziela Zibetti Dal Molin, para explicar como funciona essa nova terapia que promete revolucionar o tratamento do câncer.

Click Câncer: De forma simples, como funciona a imunoterapia e como ela se diferencia dos outros tratamentos?

Graziela Zibetti: O objetivo da imunoterapia é fazer com o que o sistema imune do paciente reconheça o tumor e possa combatê-lo através da estimulação do sistema imunológico do próprio organismo. Alguns tipos de câncer são capazes de "driblar" o sistema imunológico, interrompendo os mecanismos do corpo responsáveis por identificar que há algo errado com aquela célula doente. O tratamento estimula o sistema imune a enxergar essas células e combatê-las mais fortemente, por meio de medicamentos injetáveis.

CC: Além de aumentar a sobrevida e chances de cura, quais são as outras vantagens deste novo tratamento?

GZ: Uma das grandes vantagens da imunoterapia é a menor taxa de efeitos colaterais, comparado com o tratamento com quimioterapia. Habitualmente a imunoterapia é um tratamento bem tolerado pelos pacientes.

CC: Este tipo de tratamento é indicado para todos os pacientes? Quais são os tumores tratados pela imunoterapia?

GZ: A imunoterapia é um tratamento já aprovado em diversos tipos de tumores, como câncer de pulmão, melanoma, câncer de rim, linfoma de Hodgkin e câncer de bexiga. As principais drogas imunoterápicas já aprovadas são o ipilimumabe, pembrolizumabe, nivolumabe e atezolizumabe.

Em outros tumores a imunoterapia ainda não é considerada tratamento padrão e pesquisas estão sendo desenvolvidas para compreender quais as melhores drogas a serem utilizadas. Exemplos de tumores com pesquisas em desenvolvimento são os tumores de mama, de ovário, de próstata entre outros.

CC: Quando se fala em acesso, qual é a situação do Brasil comparado a países como os EUA?

GZ: No Brasil o acesso à imunoterapia ainda é restrito aos convênios, sem liberação da medicação pelo Sistema Único de Saúde. Mesmo no sistema privado, a aprovação de medicamentos é muito inferior comparado aos EUA. Infelizmente as drogas imunoterápicas são medicamentos caros, o que dificulta sua aprovação no sistema público.