MIT usa inteligência artificial para prever câncer de mama

MIT usa inteligência artificial para prever câncer de mama

Modelo desenvolvido por uma equipe do MIT e do Massachusetts General Hospital foi treinado com resultados conhecidos de mais de 60 mil mamografias


Uma equipe do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e do Massachusetts General Hospital (MGH) se uniram para criar um novo modelo de aprendizagem profunda (deep learning) capaz de prever a partir de uma mamografia a probabilidade de uma paciente desenvolver um câncer de mama no futuro.

O modelo foi treinado com resultados conhecidos de mamografias de mais de 60 mil pacientes do hospital e, segundo o time responsável, aprendeu as alterações sutis do tecido mamário que são percursoras de malignidade.

Para a professora do MIT Regina Barzilay, modelos como esse devem permitir que os médicos individualizem os programas de rastreamento e prevenção, tornando o diagnóstico precoce uma regra. "Ao invés de usarmos uma abordagem única, podemos individualizar o rastreamento em torno do risco de uma mulher desenvolver o câncer. Por exemplo, um médico pode recomendar uma ressonância magnética para mulheres com alto risco", explica Barzilay, uma das autoras de um artigo sobre o projeto, publicado na revista científica Radiology.

Há diferentes modelos de análise de risco em câncer de mama. O modelo desenvolvido pelo MIT demonstra ser melhor do que os outros existentes até agora. Ele colocou com precisão 31% de todos os pacientes com câncer na categoria de maior risco, contra 18% dos modelos tradicionais.

O projeto também é mais eficaz na avaliação de risco para outras etnias. Isso porque outros modelos de detecção precoce foram desenvolvidos em populações de mulheres brancas. O modelo do MIT/MGH demonstrou ser igualmente preciso tanto para mulheres brancas quanto negras. Segundo a pesquisadora, o sistema poderá um dia ser usado para outros problemas de saúde como doenças cardiovasculares e outros tipos de câncer.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, e corresponde a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, o percentual é de 29%. O Ministério da Saúde recomenda que mulheres com 50 a 69 anos sem sinal da doença realizem a mamografia anualmente. Quando há histórico familiar a orientação é iniciar aos 40 anos.