FAO pede incentivos e políticas públicas para produção de alimentos mais saudáveis

FAO pede incentivos e políticas públicas para produção de alimentos mais saudáveis

Segundo a agência da ONU, a fome não é mais o único grande problema nutricional que a humanidade enfrenta


Com informações da FAO - Na abertura do Simpósio internacional O Futuro dos Alimentos, que termina nesta terça-feira (11) em Roma, na Itália, o diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), José Graziano da Silva, afirmou que os sistemas alimentares do futuro devem fornecer alimentos saudáveis e de qualidade para todos, preservando o meio ambiente. Para ele, é preciso transformar os sistemas alimentares para melhorar as dietas das pessoas.

"Precisamos mudar nosso foco de produzir mais alimentos para produzir alimentos mais saudáveis", disse o chefe da FAO. Segundo a agência da ONU, a fome não é mais o único grande problema nutricional que a humanidade enfrenta. Projeções estimam que o número de pessoas obesas deve ultrapassar o de pessoas que sofrem de fome, que atualmente é de 820 milhões.

Hoje mais de 2 bilhões de adultos com 18 anos ou mais estão acima do peso, dos quais mais de 670 milhões são obesos. Quase 2 bilhões de pessoas sofrem de deficiências de micronutrientes.

O consumo de alimentos ultraprocessados é um dos principais impulsionadores da obesidade. Esses alimentos são baseados principalmente em ingredientes artificiais e contém altos níveis de gorduras saturadas, açúcares refinados, sal e aditivos químicos.

Medidas para melhorar a dieta

Para melhorar a dieta das pessoas, a FAO sugere quatro medidas. A primeira prevê a implementação de políticas e leis públicas para incentivar as dietas saudáveis e o setor privado a produzir alimentos mais saudáveis, como por exemplo, impostos sobre produtos alimentícios não saudáveis; rótulos de alimentos mais fáceis de compreender e mais abrangentes; e restrições à publicidade de alimentos, especialmente para crianças.

A segunda sugestão é que os governos promovam o consumo de alimentos locais e frescos, com a criação de circuitos curtos de produção e consumo de alimentos. Em terceiro lugar, os acordos de comércio internacional devem ser projetados para influenciar os sistemas alimentares de uma maneira positiva. Os alimentos ultraprocessados tendem a se sair melhor no comércio internacional.

"Infelizmente, nem todos os alimentos considerados seguros são saudáveis. O comércio deve permitir maneiras de levar alimentos saudáveis à mesa. Em quarto lugar, a transformação dos sistemas alimentares começa com solos saudáveis, sementes saudáveis e práticas agrícolas sustentáveis. Todo o sistema alimentar precisa ser reutilizado", disse Graziano da Silva.