Doenças Crônicas: a importância da adesão ao tratamento

Doenças Crônicas: a importância da adesão ao tratamento

Doenças crônicas são aquelas de progressão lenta e longa duração, que muitas vezes levamos por toda a vida. Silenciosas ou sintomáticas, podem comprometer a qualidade de vida e, nos dois casos, representam risco para o paciente.

Doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas (bronquite, asma, DPO, rinite), hipertensão, câncer, diabetes e doenças metabólicas (obesidade, diabetes, dislipidemia) estão entre as principais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as DCNTs são responsáveis por 63% das mortes no mundo. No Brasil, são a causa de 74% dos óbitos. Apesar desta realidade, a maioria das doenças crônicas pode ser prevenida ou controlada, possibilitando viver com qualidade. Para isso é preciso, em primeiro lugar, conhecer a doença e, em segundo, tratá-la de forma correta, completa e contínua.

A campanha Siga Seu Coração - Setembro Vermelho 2016 tem como um dos focos o tratamento de doenças crônicas autoadquiridas - colesterol alto, obesidade, hipertensão, estresse e tabagismo -, que são consideradas principais fatores de risco para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares.

A adesão ao tratamento é a medida com que o comportamento de uma pessoa - tomar a sua medicação, seguir a dieta e/ou mudar seu estilo de vida - corresponde às recomendações de um profissional de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o comprometimento do paciente com tratamento de longo prazo em países desenvolvidos é em torno de 50%; em países em desenvolvimento as taxas são ainda menores.

Para o cardiologista Marcelo Sampaio, um dos motivos da baixa adesão é a falta de percepção do que é uma doença crônica. "A maior parte das pessoas acredita que o processo de tratamento é sempre pontual, com cirurgias ou remédios. Doença do coração é de tratamento permanente", esclarece.

O segundo motivo, segundo ele, é o acesso da população aos centros de diagnósticos, de tratamento e de especialização, dificultado pelo número insuficiente de unidades ou por estarem fora do alcance geográfico dos pacientes. Além disso, o custo também tem um grande peso, já que muitos remédios e exames não são fornecidos pelo Estado.

Mas o tratamento de uma doença crônica vai além da prescrição medicamentosa. O controle desses problemas exige mudanças de hábitos, o que, para o cardiologista, é o maior desafio. "O remédio, o paciente sente a necessidade de tomar e ele cumpre essa orientação a maior parte das vezes. Porém, acordar cedo para fazer exercício físico ou mudar a dieta é muito mais complicado, envolve problemas culturais, história de vida".

Mudar essa cultura, para o especialista, também demanda uma mudança de postura dos médicos. "O médico não pode usar um tom processual, de comando. Tem que ser parceiro, tentar entender por que o paciente largou o tratamento, fazê-lo compreender que os dois estão juntos nessa caminhada. O resultado ruim de um, é ruim para o outro. Se você coloca dessa forma, o grau de adesão e de cumplicidade é muito maior", afirma Dr. Sampaio.

O papel da família também é importante. A adaptação ao novo estilo de vida pode ficar mais fácil quando todos que convivem com o paciente se propõem a mudar junto com ele. "Fazer atividade, dieta, largar o cigarro, tudo que é indicado para o paciente crônico beneficia não só ele, mas qualquer um que busque um estilo de vida mais saudável. Uma boa saída é fazer gincanas e desafios em casa. Ser parceiro e ser solidário", recomenda.

 

Os riscos da interrupção do tratamento

Em alguns casos, pacientes interrompem o tratamento por conta própria quando estão se sentindo bem, livres de sintomas. O cardiologista alerta que esse comportamento é altamente nocivo para sua saúde.

"Quando você trata uma doença, cria-se um bloqueio para as ações danosas e quando esse bloqueio é interrompido subitamente, com o cessar do tratamento, essas ações vêm com toda a força. Tudo o que foi bloqueado para proteger o paciente ganha uma grande avidez de ação e isso causa não só a perda dos efeitos protetores construídos ao longo de todo o tratamento, como pode retroceder e piorar o quadro", explica o médico.