Dia Nacional do Homem: Brasileiro ainda resiste a cuidar da saúde

Dia Nacional do Homem: Brasileiro ainda resiste a cuidar da saúde

No dia Nacional do Homem, reflita sobre sua condição de saúde e mude seus hábitos; a mudança começa sempre pela informação


Redação LAL - Hoje, 15 de julho, é o Dia do Homem no Brasil. A data comemorativa foi proposta na década de 1990 e, desde então, tem como objetivo chamar a atenção para questões do sexo masculino, entre elas os cuidados com a saúde. Ainda nos dias atuais, alguns homens demonstram uma tendência - quase natural - a serem mais resistentes a procurar o médico, seja para fazer exames corriqueiros ou mesmo diagnosticar algum problema alertado por um sintoma. Para alguns, exames de caráter preventivo nem mesmo fazem parte de sua rotina anual.

Incentivar hábitos saudáveis para a população masculina é também uma política de Estado no Brasil. Em 2017, a Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem (PNAISH) foi regulamentada por meio do Anexo II da Portaria de Consolidação nº 2. A partir disso, consolidou-se uma série de normas sobre as políticas nacionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), cujo objetivo principal é a promoção da saúde e a prevenção ao adoecimento. Ou seja, fazer com que os homens procurem o serviço de saúde na atenção primária, já que como regra, eles buscam na atenção especializada, quando há um agravamento de sua condição.

Segundo o estudo "Perfil da morbimortalidade masculina no Brasil", do Ministério da Saúde, publicada em 2018, "um dos principais objetivos da PNAISH é promover ações de saúde que contribuam significativamente para a compreensão da realidade masculina nos diversos contextos socioculturais e político-econômicos; outro é o respeito aos diferentes níveis de desenvolvimento e organização dos sistemas de saúde. Isso possibilita o aumento da expectativa de vida e a redução dos índices de adoecimento e morte por causas evitáveis".

Para Vera Bifulco, psicóloga e membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, ao contrário das mulheres que por natureza têm a essência do cuidar, os homens ainda não internalizaram esse hábito com a mesma naturalidade na sua rotina de vida. "Dificilmente, eles procuram os médicos para fazer prevenção e, por vezes, quando isso ocorre, a doença já está em estágio avançado. A ida ao médico com objetivo de intensificar a prevenção deveria ser incorporada pelo público masculino. É uma mudança cultural necessária". Para ela, não é uma regra, porém alguns homens só vão ao consultório quando solicitado pela esposa, companheira ou filhos, mesmo sabendo que a chance de cura é maior em diagnósticos precoces.

Ainda segundo o estudo do Ministério da Saúde, com dados referentes a 2009 e 2014, excluindo as causas externas de morbidade e mortalidade - primeira causa de morte, as doenças do aparelho circulatório e as neoplasias, respectivamente, são as que mais matam os homens brasileiros, entre 20 e 59 anos. No caso das mulheres, as neoplasias e as doenças do aparelho circulatório são a primeira a segunda causa de mortes.

Em 2009, o infarto agudo do miocárdio foi a principal causa de morte entre os homens, seguida do acidente vascular cerebral (AVC) não especificado como hemorrágico ou isquêmico; hemorragia intracerebral e cardiomiopatias. Em 2014, o infarto continuou ocupando a primeira posição, seguido de cardiomiopatias; hemorragia intracerebral e acidente vascular cerebral, não especificado como hemorrágico ou isquêmico. Em relação ao câncer, nos dois anos citados, o câncer de brônquios e pulmões foi a principal causa, seguida pelos tumores de estômago e esôfago. Dados mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), referentes a 2016, mostram que o câncer de próstata é a segunda causa de morte, quando se refere a neoplasias.

A saúde do Homem como bandeira

O Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) realiza, desde sua fundação, em 2008, iniciativas para promover a mudança de comportamento dos homens, para que incorporem o hábito de consultar um médico e realizar os exames preventivos. Pequenas mudanças de hábitos podem salvar vidas e minimizar o sofrimento entre as famílias", destaca Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida e idealizadora da campanha Novembro Azul.

O objetivo das ações é conscientizá-los sobre a importância da mudança de hábitos para a adoção de um estilo de vida mais saudável, sempre destacando ações de prevenção e conscientização, com alertas principalmente para as doenças cardiovasculares e oncológicas, em especial aos cânceres de próstata, pênis, testículo, pele/melanoma e pulmão. A campanha Novembro Azul, hoje de domínio público, visa informar sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Quando o assunto é exame do toque retal, fundamental para diagnosticar essa neoplasia, cuja recomendação se dá a partir dos 45 anos (para quem tem histórico familiar ou homens negros) e 50 anos aos demais, o tabu é ainda maior. Embora a conscientização esteja aumentando, desde o lançamento, muitos homens ainda têm medo. Além disso, dentre os que fazem, há aqueles que não comentam no trabalho que fizeram por vergonha.

"O preconceito que permeia o exame de toque é proveniente de uma cultura machista. Ao longo dos tempos a região anal fora associada à sexualidade promiscua e o uso dessa região para obtenção de prazer foi deslegitimado aos homens. Infelizmente, esta ideia ainda está bastante arraigada em nossa cultura, o que faz com que muitos homens se recusem a realizar o exame em uma tentativa quase irracional de 'preservar' a masculinidade", explica a psicóloga.

Apesar da cultura, os médicos já têm observado um aumento da procura dos homens pelos consultórios, sobretudo pela força da Campanha Novembro Azul, e por parte do público mais jovem. "Hoje, vemos uma geração mais preocupada com a saúde, que se alimenta melhor, realiza exercícios físicos e está mais atento aos cuidados pessoais", analisa Dra. Vera. Entretanto, no seu entender, enquanto a mulher tem a essência do 'cuidar' dentro dela, o homem se volta para o trabalho e a realização profissional, o que explica a presença mais feminina nas consultas médicas.

Políticas públicas

As diferenças entre os padrões de saúde das populações masculina e feminina precisam ser levadas em conta pelos governos e instituições públicas ao planejar e desenvolver estratégias de educação em saúde. Uma medida importante para mudar a realidade da saúde no Brasil é aumentar o acesso aos serviços de atenção primária. Uma das reivindicações da população estava relacionada ao horário de atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e das Unidades de Saúde da Família (USF).

Em abril, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta anunciou mais recursos do Governo Federal para as UBS que ampliassem o horário de atendimento à população para 60h ou 75h por semana, garantindo atendimento sem interrupção no horário de almoço nos dias da semana e aos finais de semana. Quase um mês depois, o ministério anunciou que a medida seria estendida para as USF, com o Programa Saúde na Hora.

"Com as unidades funcionando em horário estendido, nós esperamos desafogar os serviços de emergência, como prontos socorros e UPAs, onde a população busca atendimento em horários em que muitas vezes as Unidades de Saúde da Família estão fechadas, como no horário de almoço ou no fim da tarde, na volta do trabalho. A medida é mais um passo para a construção de um sistema público de qualidade, que contemple gradativamente toda a população do país", disse na época o ministro da Saúde. Segundo o Ministério, até o momento, 300 USF passaram a funcionar com horário ampliado em 56 municípios.

Hoje, a Atenção Primária é a principal porta de entrada do SUS, onde cerca de 80% dos problemas de saúde da população podem ser solucionados. Adotar estratégias que resolvam demandas da população brasileira é essencial para aumentar o atendimento de saúde e, consequentemente, a qualidade de vida do cidadão.